Notícia - velhinha 42 anos. Jornal do Comércio de 1960.

Velha aos 42 anos?

Em 1904, a expectativa de vida de uma mulher no Brasil girava em torno dos 33,7 anos (IBGE).

É importante ressaltar que expectativa de vida é diferente de sobrevida. A expectativa indica a média aproximada do tempo de vida, tomando como referência os diversos aspectos da sociedade vigente, por outro lado, a sobrevida sinaliza quantos anos provavelmente uma pessoa viverá após atingir essa média.

Em agosto de 1960, a expectativa de vida de uma mulher já era de 52,5 anos (IBGE), ocasião em que o Jornal do Commercio publicou a matéria de um acidente ocorrido com Maria Oliveira, uma mulher com quarenta e dois anos, vitimada pelo ônibus que entrou em sua casa. Maria foi descrita como ‘velhinha’, algo impensável nos dias atuais, principalmente, quando ficamos cientes do quão curta era a expectativa de vida da mulher brasileira naquela época.

Notícia - velhinha 42 anos. Jornal do Comércio de 1960.

De lá para cá, muita coisa mudou, a medicina e as condições sanitárias evoluíram. Conquistas femininas como o ingresso no mercado de trabalho, a pílula, o divórcio e a liberdade para dizerem o que pensam, por exemplo, ganharam força em um caminho sem volta.

Contudo, as mulheres ainda lutam neste novo cenário dando novos contornos e significados aos seus processos de autoconhecimento, escolhas, amadurecimento, envelhecimento e longevidade, principalmente, as negras em condição de descaso, invisibilidade, desvalorização. Apesar de serem subestimadas seguem firmes para ocupar posições de destaque na conquista e preservação da própria autonomia e dignidade, mais plenas e conscientes de que a combinação racismo-envelhecimento é percebida de maneira muito singular por uma sociedade negligente e que sempre impôs ’duras barreiras’ a todas elas.

Sabemos que muito ainda precisa ser feito e que o caminho é longo. A responsabilidade não é apenas individual, pois, depende de ajustes, novas formulações e implementação de mais políticas públicas integrativas a fim de que essas mulheres tornem-se visíveis e reconhecidas.

Etarismo e racismo ainda existem e persistem apesar dos avanços, mas sempre estaremos prontas para o que der e vier.

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