Império de Axum - fonte: gov.br

Império de Axum: a civilização africana que foi uma das maiores potências do mundo antigo

Conheça o Império de Axum, uma poderosa civilização africana negra que rivalizou com Roma, Pérsia e China no mundo antigo.

Império de Axum - fonte: gov.br
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Existe uma narrativa muito perigosa que durante séculos tentou fazer parecer que a África só passou a “entrar para a história” depois do contato com europeus.

Mas basta estudar civilizações como o Império de Axum para perceber o tamanho da mentira construída em torno da história africana. Porque muito antes da colonização europeia, muito antes de qualquer “influência civilizatória” externa, já existiam povos africanos altamente organizados, sofisticados, estrategistas e tecnologicamente avançados.

E Axum é um dos maiores exemplos disso.
Localizado na região conhecida hoje como Etiópia e Eritreia, o Império de Axum floresceu entre os séculos I e VII d.C. e chegou a ser reconhecido como uma das quatro maiores potências do mundo antigo, ao lado de Roma, Pérsia e China.

Uma potência africana negra sendo comparada aos maiores impérios da humanidade. E pouca gente aprendeu isso na escola.

Axum não era um reino isolado. Era uma potência global

Uma das coisas mais impressionantes sobre Axum é entender que aquele povo dominava rotas comerciais internacionais extremamente estratégicas.

O império controlava parte importante do comércio entre África, Península Arábica, Índia e Império Romano através do Mar Vermelho.

Isso significa que mercadorias circulavam constantemente por Axum:

  • ouro
  • marfim
  • sal
  • incensos
  • tecidos
  • metais
  • especiarias
  • animais exóticos

E não estamos falando de trocas rudimentares.
Estamos falando de um sistema econômico sofisticado, conectado internacionalmente e organizado politicamente.
O Império de Axum cunhava suas próprias moedas séculos antes de muitos reinos europeus fazerem o mesmo.

Inclusive, foi um dos primeiros impérios africanos a produzir moeda própria em ouro, prata e bronze. Pensa no nível de estrutura econômica necessário para isso.

A arquitetura de Axum impressiona até hoje

Outro aspecto que desmonta completamente a visão colonial sobre a África é a engenharia axumita.

As enormes estelas de pedra construídas em Axum continuam sendo consideradas algumas das obras arquitetônicas mais impressionantes do continente africano. Algumas dessas estruturas gigantescas possuem dezenas de metros de altura e foram esculpidas em blocos únicos de pedra.

Sem máquinas modernas, sem tecnologia europeia, sem colonizadores ensinando nada.

Isso é importante de dizer porque durante muito tempo criou-se uma narrativa absurda de que povos africanos só poderiam desenvolver civilizações complexas através de influência externa.

Mas Axum prova exatamente o contrário, a sofisticação política, comercial, arquitetônica e cultural do império foi construída por povos africanos negros dentro de seus próprios processos históricos.

arquitetura - reino Axum - fonte: tudosobreopasunb
fonte: tudosobreopasunb

Eles desenvolveram escrita própria

Uma das coisas que mais me chama atenção na história de Axum é o desenvolvimento do sistema de escrita ge’ez.
É…, o império possuía seu próprio sistema linguístico e escrita própria.

Porque escrita é uma das maiores tecnologias de preservação de memória de qualquer civilização.
O ge’ez influenciou profundamente a cultura etíope e ainda hoje permanece como língua litúrgica da Igreja Ortodoxa Etíope.

Ou seja, o legado de Axum não desapareceu completamente, ele continua vivo.
E isso tudo sem a influência europeia, pois antes da tal colonização.

sistema de escrita ge’ez - Portal Adro

A questão racial na forma como a história africana foi ensinada

Existe um ponto muito importante aqui. Quando estudamos Roma, Grécia ou Egito Antigo, normalmente vemos esses povos sendo apresentados como exemplos clássicos de civilização, mas quando o assunto é África Subsaariana, muitos currículos escolares historicamente apagaram ou minimizaram impérios como:

  • Império de Axum
  • Império do Mali
  • Reino de Kush
  • Grande Zimbabwe

E isso não aconteceu por acaso.

Existe uma construção colonial que tentou associar África apenas à escravidão, pobreza ou subdesenvolvimento.
Por isso estudar Axum também é um exercício de reconstrução histórica.

E digo mais!
Os impérios africanos era verdadeiramente “civilizados”, já que gostam tanto de utilizar esse termo.
Eram civilizados pois registros e relatos da época demonstram cidades e nações, quase sem criminalidade, cidades limpas, sistema se saneamento e muito mais que citarei abaixo.

Axum era uma sociedade altamente organizada

Os registros arqueológicos mostram que Axum possuía:

  • estrutura política centralizada
  • hierarquia administrativa
  • produção agrícola organizada
  • comércio internacional
  • arquitetura monumental
  • produção monetária
  • escrita própria
  • expansão territorial

Ou seja, estamos falando de uma civilização extremamente complexa.
Os reis axumitas utilizavam o título “Rei dos Reis”, demonstrando uma estrutura imperial consolidada.

E talvez uma das coisas mais impressionantes seja perceber que Axum conseguiu se tornar uma potência global estando no centro estratégico das rotas marítimas internacionais da época.

O declínio do império

Como toda grande civilização, Axum também enfrentou transformações. A ascensão das rotas comerciais islâmicas, mudanças econômicas, conflitos regionais e dificuldades ambientais contribuíram para o enfraquecimento do império a partir do século VII.

Mas o desaparecimento político de Axum não apagou seu legado. A cultura etíope, as tradições religiosas e parte da identidade histórica da região ainda carregam marcas profundas dessa civilização.

Talvez o maior problema seja o silêncio e apagamento

O mais impressionante não é apenas a existência de Axum, é o fato de tão poucas pessoas conhecerem essa história.
Porque quando um povo controla comércio internacional, desenvolve escrita própria, constrói arquitetura monumental, cria moeda, organiza um império e influencia regiões inteiras, estamos falando de civilização em seu mais alto nível.

E Axum fez tudo isso sendo uma potência africana negra.

Sem tutela europeia, sem “missão civilizatória”, sem colonizadores ensinando humanidade a ninguém.

Talvez estudar Axum seja importante justamente por isso. Para desmontar de vez a mentira de que a África nunca foi centro de conhecimento, tecnologia e poder.

Porque foi. E muito antes do mundo moderno existir.

Sempre que conhecer e estudar sobre algo da história das nossas origem, farei questão de compartilhar para manter vivos na memória e na história aqueles que vieram antes de nós!

Um beijo e até o próximo post!

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