Nádia Taquary e suas poderosas representações das mulheres negras
Suas esculturas e pinturas frequentemente fazem referência à memória histórica do escravismo, ao sincretismo religioso, e ao candomblé, tradições que têm forte presença na cultura afro-brasileira.
Por Mariana Nascimento
· 2 min de leitura

As obras de Nádia Taquary se destacam pela forma como ela aborda o universo negro e afro-brasileiro, trazendo à tona questões sobre identidade, ancestralidade e a luta feminina. Ela utiliza sua arte para resgatar, valorizar e recontar histórias de uma cultura, muitas vezes, invisibilizada. No universo negro suas obras são um veículo de resistência e afirmação de identidade afro-brasileira. A artista se inspira nas tradições e nas manifestações culturais dos povos africanos, com ênfase no vínculo profundo entre os descendentes de africanos no Brasil e suas raízes ancestrais.
Suas esculturas e pinturas frequentemente fazem referência à memória histórica do escravismo, ao sincretismo religioso, e ao candomblé, tradições que têm forte presença na cultura afro-brasileira.
“Elas são o antes, o aqui e agora e a continuidade dos que virão ancoradas nas que já foram. Na série “Yabás” eu destaco a importância vital que as mulheres negras tiveram na construção da estrutura socioeconômica do período colonial do Brasil e seu empoderamento, superação e afirmação em face ao contexto adverso de uma sociedade escravagista e sexista”. Nádia Taquary.

“Òná Ìrín: Caminho de Ferro. Exposição da artista baiana Nádia Taquary.
Nádia busca trazer à tona esses símbolos, muitas vezes, de forma modernizada e estilizada, para reafirmar sua importância, celebrar sua presença nas artes visuais e remeter ao fortalecimento da identidade ancestral e conexão com as raízes. Em suas abordagens, isso ocorre de maneira íntima, no resgate da história dos afrodescendentes e das lutas vividas pelos povos negros, enfatizando a importância de preservar e celebrar as raízes africanas e o legado deixado por aqueles que vieram antes de nós.

“Òná Ìrín: Caminho de Ferro. Exposição da artista baiana Nádia Taquary.
A presença do corpo negro e da identidade
O corpo negro nas obras de Taquary não é tratado como um objeto, mas como um espaço de resistência e afirmação. Em suas esculturas, por exemplo, ela traz figuras de mulheres e homens negros, com ênfase nos detalhes faciais e expressões corporais que expressam sentimentos de força, resistência e serenidade.

“Òná Ìrín: Caminho de Ferro. Exposição da artista baiana Nádia Taquary.
O corpo é tratado com dignidade e altivez, mostrando que a arte negra pode ser uma forma de autoafirmação e uma confirmação de pertencimento à cultura afro-brasileira. O trabalho de Nádia Taquary é um ponto de encontro entre a tradição afro-brasileira e a modernidade, uma celebração da nossa cultura, da identidade negra e da força feminina com um olhar atento à ancestralidade e à memória coletiva.
A arte de Nádia está ligada à força, à espiritualidade e à proteção, transmitindo toda essa carga energética para o espectador.
Oxalá, que assim seja! Axé!
Exposição “Òná Ìrín: Caminho de Ferro”— Local: MUNCAB (Museu Nacional da Cultura Afro Brasileira) — Rua das Vassouras,25,Centro Histórico de Salvador
Bahia, até 23/03/2025.
Créditos da imagem para a capa do artigo: “Reprodução/Ayrson Heráclito”
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Escrito por:

Deise Veira @deiseveira Pedagoga social
Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 8 de março de 2025.







