A INVEJA
Objetivo dessa coluna é escrever sobre nós num contexto da escrita de si e da autonarrativa. Penso que nossa história individual pode mudar o mundo e isso é UBUNTU.
Por Dra. Elisabete Pinto
· 2 min de leitura

Reflexões sobre a inveja
Prezadas(os)
Objetivo dessa coluna é escrever sobre nós num contexto da escrita de si e da autonarrativa. Penso que nossa história individual pode mudar o mundo e isso é UBUNTU. O meu particular se vincula ao universal e vice e versa. Nós precisamos localizar nossas emoções num contexto amplo. Da mesma forma, conceber a felicidade como uma questão coletiva que necessita da dimensão material, espiritual e emocional é de extrema importância para planejarmos a nossa vida e redefinirmos nossa missão nela.
Solicitaram-me para aprofundar a relação entre racismo, nazismo e a inveja e soberba. Não me sinto com competência para aprofundar o num texto discursivo. Fiz uma poesia, talvez porque na adolescência me disseram que não levava jeito para a coisa.
Perguntaram-me, também, se essa articulação (inveja, soberba e racismo) localizaria a inveja e a soberba somente nos brancos. Todos nos podemos nutrir e cultivar todos os sentimentos. Devemos ter consciência deles para tratá-los.
Todavia, é importante saber que alguns grupos sofrem mais com soberba e racismo por uma questão de poder político e econômico. Por exemplo, o povo judeu no contexto do nazismo. Os negros linchados e pendurados em arvores nos Estados Unidos.
Hoje compartilho com vocês uma poesia. Não sou poeta, mas é a forma que encontrei para começar a escrever sobre o tema. Ah! Sobre a relação entre inveja, racismo e nazismo, entre outros ismos a Reimy ficou também de aprofundar o tema. Vamos esperar.
A INVEJA
A inveja é inveja, Maldita e infeliz Todo mundo passa longe. Mas onde ela habita?
A inveja é colorida Branca é inocente Roxa é doente Mas Camões e Skakespeare Já disseram: estou a ficar verde. A inveja é incolor? Preta? Não senhor
A inveja é inferior Bonaparte já atestou. Mas onde ela mora? Esta pobre flagelada Talvez no coração da klu klux klan Não sei? Residiria então na maça da Bela adormecida?
Ah! A inveja faz tanta coisa. Fez Brutus trair Cesar E, na sapatilha da primeira bailarina, fez a Gilette surgir. A irmandade desconhecer, fazendo o pobre Abel morrer.
O psiquiatra já falou Pulsão de morte, sim senhor. Se a face é linda e bela A inveja está malvada, vai logo tratando: no mapa do inferno transformá-la.
A inveja é metódica, faz cirurgia com a fofoca Sensacionalista, a vadia. Mas aonde ela habita? Todo mundo já aponta a alheia afeição, e fecha logo o seu portão.
Mas aonde ela habita? Procure-a, também, antes no âmago, no fundo do seu coração.
Texto enviando em 15 de dezembro de 2017.
Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 7 de fevereiro de 2019.





