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África e Diáspora

32 Nunca Mais

Como era interessante ouvir os contos que minha avó, Virgilina Batista, contava sobre a revolução de 1932, pois nunca deixava essa data passar no esquecimento ; Ela fazia questão de falar os fatos e…

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32 Nunca Mais
Foto: Acervo Portal Afro

“Anima o surto grandioso

Que a nossa alma retempera

A ânsia feita de Raposo

E a firmeza de Anhanguera!

Rumando a novas conquistas,

Fiel ao destino da raça,

Ei-lo, abre alas, paulistas,

Pois é São Paulo que passa!

Marchemos cheios de glória

Conosco marcha a vitória!”

Como era interessante ouvir os contos que minha avó, Virgilina Batista, contava sobre a revolução de 1932, pois nunca deixava essa data passar no esquecimento ; Ela fazia questão de falar os fatos e os acontecimentos dessa época, e eu ficava encantado.

Falava da bravura de meu bisavô Armindo Batista lutando por São Paulo.

A Revolução de 1932 remete uma história de sangue e de muita luta pelo povo paulista, principalmente no Vale do Paraiba ,onde foi palco de batalhas sangrentas.

Muito além dos conflitos que mataram oficialmente 943 pessoas, foi na cidade em que aconteceu a assinatura da rendição militar do Exército Constitucionalista perante o Exército Federal.Esse episódio, que foi a última luta armada em território brasileiro, deixou marcas profundas nos municípios do Circuito Mantiqueira. A região, como ponto de fronteira, teve em suas terras muitos batalhões e combates com as tropas de Getúlio. Foram situações de espanto e tensão para a população que tentava manter sua rotina ao som de tiros e bombas. Escolas serviram de acampamento para os que nos defendiam . Casas serviam de fabriquetas de uniformes e alimentos aos combatentes. Crianças se admiravam inocentes com as rajadas de metralhadores na escuridão da noite.

Na cidade de Piquete, por exemplo, a fábrica de pólvora sem fumaça foi dominada pelos federalistas. Campos do Jordão se tornou base fronteiriça.

Minha avó contava que a ordem em Lorena era sair da cidade, com isso pegaram a estrada de Santa Lucrécia para chegar em Cunha, um grande sofrimento para muitos naquele momento.

No dia 2 de outubro de 1932, terminou a Revolução Constitucionalista, quando foi deposto o governo do Estado, chefiado por Pedro de Toledo, pelo coronel Herculano de Carvalho, comandante-geral da polícia paulista, que assumiu o poder interinamente até a chegada das autoridades federais.

Apesar de ter perdido a luta por falta de armas e de estrutura, os paulistas acabaram vitoriosos politicamente, já que poucos meses depois, em 3 de maio de 1933, foram realizadas as eleições para a Constituinte, que elaborou uma nova Carta Magna para o Brasil. Com a sua promulgação, em 16 de julho de 1934, houve o retorno da tão esperada democracia.

Autor: Denílson Costa

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 10 de julho de 2023.

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