A ocupação de Trancista foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) com o código 5161-65.
Está registrado no CBO com o código 5161-65, e a descrição oficial da atividade é a seguinte:
“Trancista – Cuidam da beleza e estética corporal, facial e capilar. Trançam cabelos, utilizando técnicas e acessórios específicos, de acordo com a solicitação do cliente. Atendem clientes, preparando-os para os serviços. Higienizam e organizam o local de trabalho, instrumentos e materiais. Podem administrar o local e comercializar produtos.”
A notícia reacendeu em mim uma lembrança especial. Quando fiz estágio no Sistema Nacional de Empregos (SINE), nas horas mais tranquilas, costumava explorar o catálogo de ocupações. Era como mergulhar em um arquivo vivo da história do trabalho no Brasil. Encontrava funções curiosas, algumas tão antigas que pareciam ter saído de outros séculos. Ver hoje a profissão de trancista registrada oficialmente nesse catálogo é algo que emociona e marca um avanço importante.
A arte de trançar cabelos carrega uma herança milenar. Suas raízes estão nos saberes africanos que sobreviveram ao tempo, à dor e à resistência. Mais do que estética, as tranças são expressão de identidade, pertencimento e resistência cultural. Cada trança conta uma história, une gerações e reafirma a beleza de uma ancestralidade viva.
O reconhecimento da atividade como uma ocupação oficial não é apenas um gesto simbólico. Ele representa um passo concreto na valorização das profissionais que sustentam famílias, movimentam a economia e mantêm viva uma tradição potente. A inclusão no CBO permite que trancistas emitam notas fiscais com respaldo jurídico, participem de licitações públicas, tenham acesso facilitado a políticas públicas, linhas de crédito, cursos profissionalizantes e outros direitos que antes eram inacessíveis. Para muitas mulheres negras que empreendem por conta própria, esse código representa também um caminho de dignidade e autonomia. É o início de uma nova fase, onde o saber tradicional ganha espaço e reconhecimento dentro das estruturas formais de trabalho. E esse avanço tem impactos reais no dia a dia dessas profissionais.
Com o reconhecimento formal, as trancistas agora podem comprovar sua atividade de maneira legítima, o que amplia significativamente suas possibilidades de crescimento profissional. Isso facilita, por exemplo, a formalização de seus negócios como Microempreendedoras Individuais (MEI), o que garante direitos como aposentadoria, auxílio-maternidade e cobertura previdenciária em caso de afastamentos por motivos de saúde. Além disso, a inserção na CBO fortalece o posicionamento das trancistas como agentes da economia criativa, evidenciando seu papel não apenas como prestadoras de serviço, mas como detentoras de um conhecimento ancestral que gera valor cultural e econômico.
Essa visibilidade contribui ainda para a construção de políticas públicas mais eficazes, direcionadas à capacitação, incentivo e proteção dessas profissionais. Outro ponto importante é a possibilidade de inclusão em programas de formação técnica e cursos reconhecidos oficialmente, o que amplia as oportunidades de desenvolvimento contínuo e chancela ainda mais a seriedade e a excelência dessa prática. Em comunidades onde as oportunidades são escassas, esse reconhecimento pode representar a porta de entrada para uma carreira digna, estável e respeitada, onde a identidade cultural é valorizada e protegida.
Mais do que um registro burocrático, o CBO é uma chancela que protege saberes, legitima trajetórias e oferece ferramentas para o avanço profissional. Ter esse respaldo é também conquistar segurança em situações do cotidiano, como a comprovação de experiência em processos seletivos, acesso a benefícios como o INSS e a possibilidade de contribuir com dados que pautem políticas públicas voltadas ao segmento. Além disso, o reconhecimento facilita a regulamentação de cursos específicos, a atuação legalizada em eventos e parcerias com o poder público ou com empresas privadas. Na prática, essa conquista pavimenta um novo caminho, onde a profissional de tranças pode trilhar com mais autonomia, respeito e oportunidades, mantendo viva a força dos fios que conectam o presente à ancestralidade.
Nós do Portal Afro parabenizamos todas as trancistas do Brasil por essa conquista. Que esse reconhecimento fortaleça ainda mais os fios que unem saber, beleza e resistência.
Um beijo e até o próximo post.

Colunista do Portal Afro
Beleza | Notícias
Finanças | Tecnologia


















