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NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Joice Aziza

NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Série de questões enviadas para pretas escritoras negras e negros escritores pretos que gentilmente responderam

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· 4 min de leitura

NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Joice Aziza
Foto: Acervo Portal Afro

Escritora de hoje: Joice Aziza

Jongueira nova

Saudades do cheiro da poeira

Feitos por pés jongueiros,

Saudades das palmas ritmadas,

Rente ao ponto cantado.

Licença aos tambores,

Pra na roda se achegar.

Saudosa da saia amarela,

Rodopiando no centro da roda.

Envolta ao olhar do parceiro

Num ponto pra Oxum.

Saudades do som do atabaque

Tocado por mão firmes e fortes,

Lembranças de um Ogan.

Saudade do abraço apertado

Saudosa da lua cheia a nos cobrir.

Quem dera fosse lembrança passageira, do ponto Cantado:

“Eu vou abrir meu jongo ehhh,

Eu vou abrir meu jongo ahhh,

Primeiro eu peço a licença (…)”

Quem dera, fosse lembrança passageira

De uma breve quarentena.

CONVERSAS

NOTAS DE ESCURECIMENTO: Por gentileza, se apresente:

JOICE AZIZA: Sou Joice Aziza, 45 anos, mulher negra de pele com pigmentação menos acentuada. Professora de História, mestranda em Educação pela FEUSP, autora de livro “Diário de Isolamento” e cofundadora do Coletivo de Escritoras Negras Flores de Baobá.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Quando se descobriu negra?

JOICE AZIZA: Descobri-me negra no Ensino Médio, quando a professora de Geografia constrói um desfile da beleza negra e reinfundido meu lugar no desfile.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como a sua ancestralidade estão nos seus escritos?

JOICE AZIZA: Qual é ou foram as suas relações com os seus pais?

JOICE AZIZA: Minha ancestralidade aparece na maioria dos textos, escrevo sobre minhas memórias dos bailes charmes que meus primos faziam quando vivenciava minha primeira infância. Em meus textos aparecem lembranças das minhas matriarcas que tiveram o direito de acessar a escolar formal em tempo “correto”, ceifado pelo racismo institucional respaldado pelo Estado. Dessa forma, me reconheço em cada uma das narrativas da minha família.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Qual é, na sua opinião, a função social da sua literatura?

JOICE AZIZA: Acredito que a literatura tem o papel de dar voz aos ditos não aceitos, as literaturas fora da caixinha do cânone tradicional da literatura.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Qual foi o seu primeiro e decisivo ato literário?

JOICE AZIZA: Acredito que meu o ato decisivo na literatura foi pós construção do coletivo do qual faço parte, desde 2018 (Coletivo de Escritoras Negras Flores de Baobá), antes do coletivo, fui avaliadora de Cadernos Negros por 7 anos, participante de 8 coletâneas, mas foi imersa ao coletivo que me descobri escritora e dei voz ao meu primeiro livro solo “Diário de Isolamento”.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como é você leitora?

JOICE AZIZA: Livre

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como é, para você ser uma escritora negra no Brasil?

JOICE AZIZA: Ser escritora negra no Brasil é desafiante, uma luta constante.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Inspiração ou transpiração? Para que e quem você escreve?

JOICE AZIZA: Escrevo para reverberar minha própria voz e para ser exemplo para alunos(as) e que se reconhecem em mim.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Qual é o seu processo de escrita?

JOICE AZIZA: Por vezes escrevo no caos e no extremo da desordem. Contudo, é junto com minha família que nascem os melhores textos.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: O que também se faz palavras em seus escritos? Quais são os seus principais temas?

JOICE AZIZA: Temas de cunho pessoais, raciais e de gênero

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Tem um narrador ou eu lírico que sempre utiliza em seus escritos?

JOICE AZIZA: Minha subjetividade

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como foram, para você, a publicação do seu primeiro livro e dos livros seguintes?

JOICE AZIZA: O nascimento do meu primeiro livro solo, se deu imerso a pandemia da covid-19. Tentando em ocupar os dias com produções escritas, passei a registrar meus dias, em formato manuscrito, que acabou virando livro. Diário de Isolamento é um livro de bolso, que contém contos, relatos individuais, políticos, pedagógicos e coletivos. Futuramente virá ao mundo meu segundo livros, mas por hora, seria spoiler.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Poderá nos oferecer sete ou mais livros, de autoras negras brasileiras ou autores negros brasileiros, que na sua opinião, são fundamentais?

JOICE AZIZA: Das Raízes à Colheita – Flores de Baobá

Americanah – Chimamanda

Morada – Catita

Cenas da Pandemia – Samira Calais

Ynacabados – Esmeralda Ribeiro

Porções para se acordar presente – Benedita Lopes

Histórias para Ninar menino grande – Conceição Evaristo

A cor da demanda – _Éle Semog

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Quais suas negras influencias? E, sendo possível, aponte, sete ou mais figuras negras brasileiras importantes na sua opinião?

JOICE AZIZA: Flores de Baobá, Chimamanda, Catita, Samira Calais, Esmeralda Ribeiro, Benedita Lopes, Conceição Evaristo, Éle Semog, Cláudia Walleska e Mari Vieira

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 9 de agosto de 2025.

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