Sua vitória foi recebida com emoção e entusiasmo, sendo vista como um marco de representatividade, diversidade e superação.

O universo dos concursos de beleza acaba de viver um momento histórico. Em 2025, a norte-americana Midori Monét foi coroada Miss International Queen, na Tailândia, tornando-se a primeira mulher trans negra a conquistar o título em um dos concursos mais prestigiados do mundo para mulheres trans.
Mas afinal, quem é Midori Monét? O que sua trajetória representa dentro e fora das passarelas? E por que sua vitória ressoa de maneira tão profunda no debate sobre identidade de gênero, raça e inclusão?
Quem é Midori Monét?
Midori Monét nasceu em Seattle, Washington (EUA) e tem 25 anos. Modelo e ativista, ela não se limita ao brilho dos palcos: também é co-fundadora da organização The House of Scott, criada junto com seu irmão, Mufasa. A instituição tem como propósito oferecer apoio a jovens queer, fortalecendo espaços de acolhimento e empoderamento dentro da comunidade LGBTQIA+.
Antes de conquistar visibilidade internacional, Midori participou de competições como o Miss Washington USA, mostrando sua dedicação ao universo dos concursos de beleza. Ao longo de sua trajetória, deixou claro que enxerga a passarela como um espaço não apenas de glamour, mas de transformação social.
Ao ser coroada Miss International Queen 2025, ela fez um discurso emocionante, destacando a força de seus ancestrais e reafirmando seu compromisso com a representatividade:
“Estou vivendo os sonhos mais selvagens dos meus ancestrais, sendo eu mesma, orgulhosa e representando toda a minha comunidade.”
Essas palavras traduzem a essência de sua caminhada: ocupar espaços antes negados, abrindo caminho para que outras pessoas possam sonhar ainda mais alto.
A importância de sua vitória
O título de Midori Monét ultrapassa a dimensão estética e simbólica de um concurso. Ele representa um ato de resistência. Em um mundo onde pessoas trans ainda enfrentam preconceito, marginalização e violência, ver uma mulher trans negra coroada em um dos palcos mais prestigiados de beleza é uma mensagem poderosa: existimos, resistimos e brilhamos.
Midori destacou que pretende usar sua visibilidade para lutar pelos direitos das pessoas trans, promovendo uma sociedade mais inclusiva e consciente. Essa postura a coloca não apenas como uma rainha da beleza, mas como uma líder ativista, alguém que compreende o impacto que sua imagem e voz podem gerar globalmente.
O peso da representatividade
Ser a primeira mulher trans negra a vencer esse concurso amplia ainda mais o significado da conquista. A representatividade não é um detalhe; é um combustível para transformação social. Ver alguém que rompe barreiras inspira outras pessoas que muitas vezes não se reconhecem nos padrões impostos pela sociedade.
Para jovens negras trans que crescem em contextos de exclusão, a vitória de Midori funciona como um espelho de possibilidades. Ela prova que os sonhos não precisam ser limitados pelas barreiras do racismo ou da transfobia, que é possível ocupar espaços de destaque com orgulho e autenticidade.
A questão racial nos concursos de beleza
Ao longo da história, os concursos de beleza refletiram e muitas vezes reforçaram padrões eurocêntricos e excludentes. Mulheres negras e de outras etnias frequentemente foram marginalizadas, enfrentando obstáculos para serem vistas como símbolos universais de beleza.
Com Midori Monét, a narrativa muda. Sua vitória revela como os concursos também podem ser espaços de transformação cultural. Colocar uma mulher trans negra no centro das atenções internacionais é desafiar séculos de exclusão e reafirmar que a beleza é plural, diversa e multifacetada.
Essa conquista reforça a necessidade de continuar questionando os espaços de poder e prestígio, garantindo que a diversidade não seja exceção, mas regra. Afinal, a beleza de um povo está justamente em sua multiplicidade.
Reflexão sobre inclusão e diversidade
A trajetória de Midori nos convida a pensar além da estética. O que está em jogo é a inclusão real, a criação de oportunidades para que pessoas trans e negras possam se expressar, alcançar posições de destaque e serem respeitadas em sua humanidade.
Sua vitória também joga luz sobre a importância do apoio comunitário e familiar. Ao lado de seu irmão, fundando uma organização que apoia jovens queer, Midori mostra que o caminho da superação não é apenas individual, mas coletivo. O empoderamento se fortalece quando é partilhado.
O Miss International Queen 2025 ficará marcado como o ano em que a história se abriu para novas possibilidades. Midori Monét não apenas conquistou uma coroa; ela inaugurou um novo capítulo de reconhecimento para mulheres trans negras em todo o mundo.
Seu triunfo simboliza esperança e novas perspectivas. Mostra que a luta por direitos e por visibilidade traz frutos concretos e que cada conquista individual abre caminho para avanços coletivos.
O futuro que se abre
Midori Monét não é apenas uma rainha de beleza; é um símbolo de transformação social. Sua vitória celebra a diversidade e nos lembra que a representatividade tem o poder de mudar vidas. Mais do que um título, ela conquistou um lugar na história, inspirando milhares de pessoas a acreditarem em seus sonhos, independente das barreiras que enfrentem.
É possível afirmar, sem exagero, que sua coroa brilha não apenas sobre sua cabeça, mas sobre todas as mulheres trans negras que a veem como referência. O que antes parecia inalcançável agora é uma realidade.
A vitória de Midori Monét é, portanto, um convite para continuarmos construindo uma sociedade em que todas as pessoas, em sua pluralidade, possam ser vistas, celebradas e valorizadas. Ela abre portas para que novas gerações de mulheres trans sigam com coragem e confiança, sabendo que o impossível já foi conquistado.
Um beijo e até o próximo post!

Colunista do Portal Afro
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