Carla Domiciano - @look.dapreta

Empoderamento afetivo – Dia dos Namorados

Pretas Merecem o Amor Inteiro
Empoderamento Afetivo no Dia dos Namorados

Uma carta para o Dia dos Namorados que celebra o amor possível, visível e revolucionário das mulheres negras.

Carla Domiciano - @look.dapreta
@look.dapreta l Carla Domiciano

AVISO:

Este texto fala de temas sensíveis. Aborda ausências e dores quando o assunto é o amor romântico vivido por mulheres negras.
Mas ele também é uma promessa.
Uma visão de futuro onde o amor é inteiro, real e construído com dignidade.
Que ele te acolha, te traduza e te motive a seguir acreditando no amor que você merece.

O amor está no ar… mas pra quem?

O Dia dos Namorados é, para muitas pessoas, um dia de celebração.
Flores, jantares, pedidos de casamento, presentes ao acordar. Um amor visível, socialmente reconhecido, validado.

Mas para muitas mulheres — especialmente mulheres negras — essa data vem acompanhada de silêncio, ausência e exclusão.

É o dia em que se ouve falar muito de amor…
Mas raramente se o vive.

Pretas que não receberam amor

Viver em sociedade sendo mulher negra é resistir a estereótipos que nos colocam como fortes demais para sermos frágeis, como desejo oculto, mas não escolha pública. Somos a guerreira, a amiga, a amante escondida — quase nunca a amada oficial.

Neste Dia dos Namorados, talvez seja hora de romper o silêncio.
De dar nome à dor.
De lembrar que amar uma mulher preta é um ato político.

E que nós não queremos esmolas afetivas. Queremos o que é de direito para toda e qualquer mulher:
Ser amadas com respeito, com entrega, com prioridade.

Além de flores e chocolates (também queremos), queremos reciprocidade.
Queremos amor sem esconderijo.
Queremos ser vistas, lembradas, escolhidas — não apenas desejadas quando ninguém está olhando.

Isso não é carência.
É reivindicação de existência.

E se fôssemos amadas como merecemos?

Imagine um mundo em que mulheres negras fossem o centro.

Não lembradas só pela força, mas celebradas pela beleza, pela inteligência, pela ternura.

Amadas sem “apesar de”.
Escolhidas sem “em segredo”.

Isso parece utopia?

Talvez o problema não esteja nos nossos sonhos — mas na realidade limitada que tentaram nos convencer a aceitar.

Estamos construindo um novo amor

A verdade é que esse futuro já começou a nascer.

Mulheres negras estão se escolhendo.
Todos os dias.
Se colocando no centro.
Dizendo basta à escassez afetiva.

Estamos reescrevendo a narrativa com mãos firmes, colocando ponto final nas histórias escondidas e vírgulas nas possibilidades infinitas.

O amor pela mulher preta não será exceção — será regra.
Será público, bonito, cotidiano.
Construído com desejo, cuidado e verdade.

Na arte, nos livros, nas telas e nas relações reais, isso já está acontecendo.

O amor negro como futuro e revolução

O amor entre e para mulheres negras não é exceção — é revolução.

Não estamos pedindo aprovação.
Nem implorando presença.
Estamos escrevendo nossos próprios roteiros.

Roteiros com datas marcantes, com olhares inteiros, com amor de verdade.
Roteiros que parecem cenas de filme — e são.

Pretas protagonistas do amor

Neste Dia dos Namorados, que cada mulher preta se veja como a protagonista da própria história de amor.

Que escolha o amor que cuida sem prender, excita sem apagar, acompanha sem controlar.
Que se veja em romances onde é desejada com profundidade, amada com inteireza, vista com honestidade.

E que o futuro nos traga não só mais narrativas de amor preto — mas vidas reais onde essas histórias floresçam.
Sem medo.
Sem vergonha.
Sem invisibilidade.

Porque já sabemos:
O amor que queremos não é demais. É o mínimo.
E ele vem.
Porque nós o merecemos.

Referências Artísticas que Comprovam:
O Amor para Pretas está Acontecendo

Filme A Fotografia (2020)
Filme A Fotografia (2020)
  •  Em A Fotografia, Issa Rae vive um amor delicado e maduro, onde a mulher preta é o centro.
    Em Se a Rua Beale Falasse, o amor entre Tish e Fonny resiste ao racismo com ternura.
    Em Sylvie’s Love, uma mulher negra vive romance nos anos 60 — com leveza e paixão.
    Em A Cor Púrpura, Celie e Shug vivem um amor entre mulheres negras que liberta e cura.
  •  Na música de Luedji Luna, o corpo negro é amado, tocado, respeitado: “não quer só sobrevivência”. 🎶

Essas histórias importam!

Porque cada vez que uma mulher negra é o centro de uma história de amor,

o mundo gira um pouco diferente.

O amor preto é reparação afetiva, política e estética.
É quando deixamos de pedir migalhas — e passamos a exigir o banquete.

Feliz Dia dos Namorados para você que já vive!

Feliz Dia dos Namorados para você que ainda viverá um amor completo!

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