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Prateados: startup de Ana Boyadjian aposta na socialização e na qualidade de vida da geração 60+

Como tecnologia, experiências presenciais e novas formas de convivência estão transformando o mercado da longevidade no Brasil

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· 12 min de leitura

Ana Boyadjia - Fundadora do app prateados - fonte: linkedin/anaboyadjian
Ana Boyadjia - Fundadora do app prateados - fonte: linkedin/anaboyadjian. Foto: linkedin/anaboyadjian

E se envelhecer também significasse descobrir novos lugares, fazer amizades, aprender algo diferente e aproveitar melhor a cidade? A Prateados aposta nessa ideia.

A empreendedora Ana Boyadjian criou a Prateados, uma startup brasileira voltada à socialização e à promoção de experiências para pessoas com 60 anos ou mais. Com operação em São Paulo, a plataforma combina aplicativo com recursos de acessibilidade, incluindo comandos de voz, e uma agenda de atividades presenciais, como exercícios físicos, oficinas de cerâmica, aulas de dança, karaokê, cinema e passeios culturais acompanhados por profissionais.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2025 e passou por uma fase de testes com participantes antes de ampliar sua operação comercial em 2026. A proposta é atender a uma necessidade que nem sempre recebe a atenção do mercado: pessoas maduras também querem sair, conhecer gente, experimentar atividades, aprender e continuar participando da vida cultural e social.

A iniciativa chega em um momento importante. Segundo o Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população. Estamos falando de uma parcela expressiva da sociedade, com diferentes histórias, interesses, necessidades e possibilidades de consumo.

Mas será que o mercado está preparado para enxergar essa geração para além dos serviços de saúde e cuidados?

Prateados: uma startup criada para conectar pessoas 60+

A Prateados nasceu da percepção de Ana Boyadjian sobre uma lacuna no mercado brasileiro. Enquanto boa parte dos produtos e serviços direcionados ao público mais velho está concentrada em saúde, medicamentos, assistência e cuidados, existe uma demanda por experiências de lazer, cultura, entretenimento e convivência.

A proposta da startup é justamente ampliar esse olhar.

Em vez de oferecer somente uma agenda de atividades, a empresa se apresenta como um ecossistema de socialização para a geração 60+. A plataforma organiza experiências presenciais e digitais, aproximando participantes, profissionais, espaços culturais, marcas e parceiros.

A iniciativa começou a operar em São Paulo, utilizando a cidade como espaço de convivência. Entre as experiências divulgadas estão atividades no Parque Ibirapuera, sessões de cinema e encontros em espaços culturais da capital paulista.

A ideia é simples, mas bastante relevante: criar oportunidades para que as pessoas se encontrem, construam novas relações e continuem ocupando os espaços urbanos.

E existe uma diferença importante nessa proposta. A pessoa não precisa participar de uma atividade exclusivamente porque ela foi pensada como um serviço para idosos. Ela pode escolher uma oficina, um passeio, uma sessão de cinema ou uma experiência cultural simplesmente porque tem interesse naquela atividade.

Parece óbvio, não é? Mas essa mudança de perspectiva diz muito sobre como a sociedade ainda enxerga o envelhecimento.

Como funciona o aplicativo Prateados?

A plataforma combina recursos digitais com uma programação de encontros presenciais.

Um dos diferenciais divulgados é a navegação por comandos de voz, pensada para facilitar o acesso de pessoas que podem encontrar dificuldades na utilização de aplicativos convencionais.

A tecnologia também conta com recursos de inteligência artificial integrados ao WhatsApp, conforme informações divulgadas sobre o lançamento da plataforma. A proposta é tornar a experiência digital mais acessível e facilitar a consulta e a organização das atividades.

Na prática, o aplicativo funciona como uma porta de entrada para as experiências oferecidas pela startup. Por meio dele, os participantes podem conhecer a programação e organizar sua participação nos encontros.

Entre as atividades divulgadas estão:

  • Atividades físicas: exercícios e experiências de movimento conduzidos por profissionais, respeitando diferentes condições e capacidades.
  • Oficinas de cerâmica: atividades criativas que estimulam a experimentação e a convivência.
  • Aulas de dança: momentos de movimento, música e interação.
  • Karaokê: encontros descontraídos para cantar, compartilhar músicas e conhecer pessoas.
  • Cinema e passeios culturais: experiências em espaços urbanos e culturais de São Paulo.
  • Encontros sociais: oportunidades para conversar, desenvolver amizades e ampliar o círculo de convivência.

As atividades são acompanhadas por profissionais e anfitriões, conforme a natureza de cada experiência. A empresa informa contar com especialistas de diferentes áreas, como educação física, fisioterapia, terapia ocupacional e facilitação de experiências.

É importante destacar que a Prateados não se apresenta como um serviço de atendimento médico ou substituto de cuidados de saúde. Seu foco é a socialização, o lazer, a cultura e a promoção de experiências que favoreçam a participação social.

O que é o modelo B2F da Prateados?

Outro aspecto interessante do negócio é o** modelo B2F, sigla para Business to Family**, que pode ser traduzido como negócio voltado à família.

Nesse formato, a empresa considera que a relação de consumo e as decisões relacionadas às experiências da pessoa 60+ podem envolver também seus familiares.

Com a autorização do participante, familiares podem acompanhar informações e registros relacionados à programação e às atividades. A proposta é oferecer mais transparência e tranquilidade, sem retirar da pessoa usuária o protagonismo sobre suas escolhas.

Esse detalhe merece atenção.

A participação da família pode ser importante, especialmente quando existe preocupação com deslocamento, segurança e organização da rotina. Entretanto, acompanhar não deve significar controlar. A autonomia da pessoa idosa precisa continuar sendo respeitada.

O próprio Estatuto da Pessoa Idosa, instituído pela Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, estabelece que a pessoa com 60 anos ou mais tem direito à liberdade, à dignidade, ao respeito e à participação na vida familiar e comunitária.

A tecnologia pode ajudar a aproximar pessoas, mas precisa ser utilizada de maneira que preserve a privacidade, a vontade e a independência de quem a utiliza.

Quanto custa participar da Prateados?

A startup trabalha com diferentes possibilidades de participação.

As informações divulgadas sobre a operação comercial apresentam planos de assinatura com valores entre R$ 299 e R$ 799 por mês, de acordo com a quantidade de atividades incluídas. Também existem experiências avulsas e encontros gratuitos para usuários cadastrados.

A oferta de atividades gratuitas é um ponto relevante. Durante a fase piloto, a empresa identificou que nem todas as pessoas poderiam ou desejariam contratar uma assinatura. Por isso, a manutenção de encontros sem cobrança foi incorporada à proposta.

Essa decisão amplia as possibilidades de participação, embora seja importante lembrar que o acesso a atividades gratuitas não elimina todas as barreiras. Transporte, mobilidade, localização, disponibilidade de tempo e acessibilidade também influenciam a participação.

Para consultar os planos, a programação atualizada e as condições de participação, o ideal é acessar diretamente os canais oficiais da Prateados.

Ana Boyadjian e o investimento na economia prateada

À frente da iniciativa está Ana Boyadjian, empreendedora com aproximadamente 30 anos de experiência em marketing e comunicação.

Segundo informações divulgadas pela imprensa sobre o negócio, a fundadora investiu cerca de R$ 1 milhão de recursos próprios no desenvolvimento da startup. A solução passou por uma etapa de validação com participantes em São Paulo antes de avançar para sua operação comercial.

Reportagens publicadas em 2026 também informaram a existência de usuários ativos e de uma lista de espera, indicando interesse inicial pela proposta. Esses números são retratos divulgados em momentos específicos e podem mudar conforme a expansão da empresa.

A experiência profissional da fundadora ajuda a compreender outro aspecto do projeto: a forma como as marcas se comunicam com a população madura.

Durante muito tempo, a publicidade apresentou pessoas mais velhas quase sempre associadas à fragilidade, à dependência ou a produtos relacionados à saúde. No extremo oposto, algumas campanhas tentam representar o envelhecimento como uma juventude artificial, ignorando as experiências e particularidades dessa fase da vida.

A Prateados propõe outro caminho, reconhecendo que pessoas com mais de 60 anos têm desejos, preferências, hábitos de consumo e projetos pessoais muito diferentes entre si.

A expansão nacional da startup está entre os objetivos anunciados pela fundadora para 2027. O crescimento dependerá da capacidade de adaptar a operação a outras cidades, estabelecer parcerias e compreender as necessidades dos diferentes públicos e territórios.

Por que a socialização é tão importante durante o envelhecimento?

A convivência social não é apenas uma questão de entretenimento. Ela faz parte do bem-estar e da qualidade de vida em diferentes fases da existência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de sua Comissão sobre Conexão Social, publicou em 30 de junho de 2025 o relatório From loneliness to social connection: charting a path to healthy societies.

O documento reúne evidências sobre os impactos da solidão e do isolamento social na saúde, no bem-estar e na vida em sociedade. A organização defende que fortalecer as conexões sociais deve ser tratado como uma prioridade de saúde pública.

Isso não significa que participar de uma oficina ou de um passeio, isoladamente, seja capaz de resolver a solidão. As experiências precisam fazer sentido para cada pessoa e, principalmente, favorecer relações que possam continuar além de um encontro pontual.

Uma atividade coletiva pode ser o começo de uma amizade. Um passeio pode despertar o interesse por novos lugares. Uma oficina pode estimular a criatividade e abrir espaço para conversas. Pequenas experiências podem contribuir para uma rotina mais participativa.

Por isso, iniciativas de socialização para pessoas 60+ merecem ser observadas também pelo seu potencial de fortalecer vínculos comunitários.

O envelhecimento da população brasileira está transformando o mercado

Os dados demográficos ajudam a explicar por que negócios voltados à longevidade estão ganhando espaço.

O Censo Demográfico 2022 identificou 32.113.490 pessoas com 60 anos ou mais no Brasil. Em 2010, eram aproximadamente 20,5 milhões. O crescimento demonstra uma transformação importante na composição da população brasileira.

Esse cenário amplia a necessidade de serviços, produtos, espaços e experiências adequados às diferentes fases do envelhecimento.

É nesse contexto que aparece o conceito de economia prateada, também conhecido como silver economy.

A economia prateada reúne atividades econômicas relacionadas às necessidades, aos interesses e ao poder de consumo da população madura, especialmente das pessoas com 50 ou 60 anos ou mais, dependendo do recorte utilizado.

Ela envolve diferentes setores:

  • Saúde, prevenção e bem-estar.
  • Turismo, cultura e entretenimento.
  • Tecnologia e acessibilidade digital.
  • Moradia e mobilidade.
  • Educação e aprendizagem ao longo da vida.
  • Moda, beleza e cuidados pessoais.
  • Serviços financeiros e planejamento de aposentadoria.
  • Empreendedorismo e mercado de trabalho.

O Sebrae destaca a economia prateada como um campo de oportunidades para empresas que desenvolvem produtos e serviços adequados ao público 60+.

Mas existe uma questão que merece ser considerada: não basta identificar esse público como um mercado consumidor. É necessário compreender suas necessidades reais, respeitar sua diversidade e desenvolver soluções que tenham utilidade e qualidade.

A população 60+ não é um grupo homogêneo. Existem diferenças de renda, escolaridade, raça, gênero, condições de saúde, localização e acesso à tecnologia. Uma solução que funciona para uma pessoa pode não atender outra.

A própria experiência de testes da Prateados, segundo entrevista concedida por sua fundadora, identificou diferentes perfis de comportamento e interesses dentro dessa faixa etária.

Tecnologia para aproximar, não para substituir o contato humano

uma aplicação da tecnologia voltada à acessibilidade.

Muitas ferramentas digitais ainda são desenvolvidas considerando usuários familiarizados com telas, menus, senhas, notificações e diferentes etapas de navegação. Para algumas pessoas, essa experiência pode ser cansativa ou pouco intuitiva.

Recursos de voz podem simplificar determinadas tarefas, desde que sejam bem projetados, ofereçam alternativas de uso e respeitem a privacidade.

No caso da Prateados, a tecnologia não é apresentada como o destino final da experiência. Ela funciona como meio para organizar encontros que acontecem presencialmente.

E talvez esteja aí um dos aspectos mais interessantes da proposta: utilizar recursos digitais para estimular relações fora das telas.

A inovação não está somente no aplicativo, mas na tentativa de aproximar tecnologia, cidade, cultura e convivência.

O que a Prateados representa para o futuro da longevidade?

A iniciativa de Ana Boyadjian ajuda a ampliar uma conversa necessária sobre o envelhecimento no Brasil.

Envelhecer não significa deixar de ter curiosidade, desejos, planos ou vontade de experimentar coisas novas. Também não significa que todas as pessoas desejem a mesma rotina ou tenham as mesmas necessidades.

Algumas querem viajar. Outras preferem atividades culturais, esportivas, artísticas ou encontros mais tranquilos. Há quem queira aprender algo novo, fazer amizades ou simplesmente ter mais oportunidades para sair de casa.

O desafio para empresas, governos e sociedade é reconhecer essa diversidade e criar condições para que as pessoas possam escolher como desejam viver essa etapa.

Talvez a melhor maneira de pensar o futuro do envelhecimento seja deixar de perguntar apenas do que as pessoas precisam para serem cuidadas e começar a perguntar também o que desejam viver, descobrir e compartilhar.

Porque longevidade não deveria ser medida somente em anos de vida, mas também nas possibilidades de continuar fazendo parte do mundo.

Perguntas frequentes sobre a startup Prateados e a socialização da população 60+

O que é a Prateados?

A Prateados é uma startup brasileira fundada por Ana Boyadjian, voltada à socialização de pessoas com 60 anos ou mais. A plataforma combina aplicativo, recursos de acessibilidade e atividades presenciais de cultura, lazer, movimento e convivência.

Como funciona o aplicativo Prateados?

O aplicativo permite conhecer e organizar a participação nas experiências oferecidas pela startup. A plataforma divulga recursos de navegação por comandos de voz e inteligência artificial integrada ao WhatsApp, além de uma agenda de atividades presenciais acompanhadas por profissionais.

Quais atividades a Prateados oferece?

A programação divulgada inclui atividades físicas, dança, oficinas de cerâmica, karaokê, cinema, passeios culturais e encontros sociais. A agenda pode variar conforme a programação e os parceiros disponíveis.

O que significa B2F no modelo de negócio da Prateados?

B2F significa Business to Family. Nesse modelo, a empresa considera a relação entre negócios, usuários e familiares. Na Prateados, familiares podem acompanhar informações e registros das atividades mediante autorização da pessoa usuária.

Quanto custa participar da Prateados?

As informações divulgadas em 2026 apresentam planos de assinatura entre R$ 299 e R$ 799 mensais, conforme a quantidade de atividades. A empresa também oferece experiências avulsas e encontros gratuitos para usuários cadastrados. Valores e condições devem ser confirmados nos canais oficiais.

Quem é Ana Boyadjian, fundadora da Prateados?

Ana Boyadjian é uma empreendedora com trajetória de aproximadamente 30 anos em marketing e comunicação. Ela fundou a Prateados com a proposta de desenvolver um ecossistema de socialização e experiências para pessoas com 60 anos ou mais.

Onde saber mais

Prateados, site oficial: https://www.prateados.com/

Prateados, Instagram: https://www.instagram.com/somosprateados/

Ana Boyadjian, LinkedIn: https://br.linkedin.com/in/anaboyadjian

A Prateados ainda tem desafios importantes pela frente, como ampliar sua presença geográfica, manter a qualidade das experiências, garantir acessibilidade e construir um modelo economicamente sustentável. Também será necessário observar como a empresa lida com a proteção de dados e com a autonomia dos participantes à medida que sua operação cresce.

Ainda assim, a proposta coloca em evidência uma necessidade que merece mais espaço no debate público e no mercado: a vida social também importa quando falamos de longevidade.

E fica uma reflexão: estamos preparando nossas cidades, nossos negócios e nossas relações para uma sociedade que vive mais?

Um beijo e até o próximo post!

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