Semana da Mãe Preta 2026 - fonte: ileaiye.org.br

Semana da Mãe Preta 2026: mulheres negras, memória, resistência e ancestralidade no Curuzu

Ilê Aiyê celebra o legado das mulheres negras com uma programação gratuita na Semana da Mãe Preta 2026 em Salvador

De 15 a 18 de setembro, com atividades nos dias 15, 16 e 18, Salvador recebe uma programação que une memória, cultura, resistência e ancestralidade negra.

Semana da Mãe Preta 2026 - fonte: ileaiye.org.br
Semana da Mãe Preta 2026 – fonte: ileaiye.org.br

Quando uma comunidade decide contar a própria história, ela também decide quem merece ser lembrado.

É a partir dessa perspectiva que o Ilê Aiyê realiza, em Salvador, a Semana da Mãe Preta 2026, uma programação dedicada ao protagonismo das mulheres negras. O evento acontece nos dias 15, 16 e 18 de setembro de 2026, no Terreiro Acé Jitolu, no Curuzu, com entrada gratuita e o tema “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”.

Realizada pelo Ilê Aiyê desde 1979, a Semana da Mãe Preta nasceu ligada à trajetória das mulheres que ajudaram a construir o bloco afro, o terreiro e a própria comunidade do Curuzu. Em 2026, a programação reúne exposição fotográfica, homenagens, rodas de conversa, cinema, documentário e música para discutir não apenas o passado, mas também o presente e o futuro das mulheres negras.

E talvez esteja justamente aí a força dessa iniciativa.

Porque falar de memória não significa simplesmente olhar para trás. Significa perguntar quais histórias chegaram até nós, quem teve o direito de registrá-las e quais mulheres ainda precisam ser reconhecidas como protagonistas de suas próprias trajetórias.

A Semana da Mãe Preta

A Semana da Mãe Preta é uma iniciativa realizada pelo Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, desde 1979. O evento é dedicado à memória, à reflexão e à formação, com foco no protagonismo das mulheres negras e na transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.

A edição de 2026 acontece no Terreiro Acé Jitolu, no Curuzu, território profundamente relacionado à história do Ilê Aiyê e à trajetória de Mãe Hilda Jitolu, ialorixá, educadora, matriarca e uma das figuras fundamentais para a construção da identidade do bloco.

O tema deste ano, “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”, não foi escolhido por acaso. Ele reúne três dimensões que atravessam a história das mulheres negras no Brasil.

A memória preserva experiências que muitas vezes foram apagadas ou pouco registradas pela história oficial.

A resistência revela as estratégias utilizadas para sobreviver, criar, educar, organizar comunidades e produzir cultura em uma sociedade marcada pelo racismo.

A ancestralidade estabelece uma relação entre diferentes gerações, mostrando que muitas das conquistas do presente foram construídas por mulheres que vieram antes.

Mãe Hilda Jitolu e a força de um território

Mãe Hilda Jitolu - fonte: brasildedireitos.org.br
Mãe Hilda Jitolu – fonte: brasildedireitos.org.br

Para compreender a Semana da Mãe Preta, é importante conhecer Mãe Hilda Jitolu.

Hilda Dias dos Santos nasceu em Salvador, em 6 de janeiro de 1923. Em 1952, fundou o Terreiro Acé Jitolu, no Curuzu. Foi nesse território que sua trajetória religiosa, comunitária e educacional se encontrou com a criação do Ilê Aiyê, em 1974.

Estudos acadêmicos sobre sua trajetória destacam justamente essa relação entre ancestralidade, política, educação e resistência. Mãe Hilda não aparece apenas como uma liderança religiosa. Sua atuação ajuda a compreender o papel dos terreiros como espaços de sociabilidade, transmissão de conhecimento, construção de identidade e resistência da população negra.

Foi sob a influência e a presença de Mãe Hilda que o Ilê Aiyê se consolidou como muito mais do que um bloco carnavalesco.

A Fundação Cultural Palmares também reconhece a relação entre o Ilê Aiyê, o Terreiro Ilê Axé Jitolu e a atuação de Mãe Hilda na construção dessa história.

Essa ligação ajuda a entender por que o Curuzu não é apenas o endereço de um evento. O território faz parte da própria narrativa.

Mulheres negras também são guardiãs da memória

Existe uma dimensão particularmente interessante na Semana da Mãe Preta: a memória não aparece como algo distante, guardado apenas em livros, museus ou arquivos.

Ela aparece em fotografias, relatos, música, educação, roupas, corpos, experiências e encontros entre gerações.

A programação de 2026 começa com a exposição “Mulheres que constroem a nossa história”, seguida de uma homenagem a Eugênia Lúcia, reconhecida pelo Ilê Aiyê como idealizadora dos Cadernos de Educação da instituição e referência na educação antirracista e na valorização da cultura afro-brasileira.

Essa escolha é significativa.

Quando falamos em protagonismo feminino negro, é comum lembrarmos de grandes nomes já reconhecidos pela história. Mas também existe uma enorme quantidade de mulheres que atuaram nos bastidores da educação, da cultura, da organização comunitária, da comunicação e da formação de novas gerações.

São mulheres que nem sempre aparecem nos livros didáticos, mas cujas ações ajudam a explicar por que determinadas comunidades continuam existindo, produzindo conhecimento e criando novos caminhos.

A memória, nesse sentido, também é uma forma de justiça.

Programação da Semana da Mãe Preta 2026

No dia 15 de setembro, terça-feira, acontece a abertura da Semana da Mãe Preta.

A programação começa às 14h30 com a abertura oficial da exposição fotográfica “Mulheres que constroem a nossa história”. Às 15h, será realizada a homenagem a Eugênia Lúcia.

Na sequência, às 16h30, o público poderá assistir ao filme “O Dia de Jerusa”. Às 17h, a roda de conversa “Ainda temos muito para viver: mulheres negras, tempo, desejo e liberdade” amplia a discussão sobre diferentes fases da vida, autonomia e experiências das mulheres negras. O primeiro dia termina com um pocket show de Jann Souza, às 18h.

No dia 16 de setembro, quarta-feira, a programação se volta para temas que aproximam cultura, identidade e questões contemporâneas.

Às 14h30, a roda “Moda Afro-brasileira: Identidade, Ancestralidade e Empreendedorismo” coloca em discussão a moda como expressão cultural, construção identitária e também possibilidade econômica.

Mais tarde, às 16h, o debate “Masculinidades Negras, Saúde Mental e os Impactos nas Vidas das Mulheres Negras” propõe uma conversa importante sobre relações sociais, afetivas e familiares e sobre como as construções das masculinidades negras também repercutem na vida das mulheres.

Já o dia 18 de setembro, sexta-feira, encerra a programação.

Às 14h30, a roda “Memórias Negras da Bahia” coloca a memória regional no centro da conversa. Às 16h, será exibido o documentário “Juntas pelo Bem Viver: Vozes da Marcha das Mulheres Negras”, seguido, às 16h30, da roda “Gerações de Mulheres Negras”.

O encerramento acontece às 18h, com a Band’Aiyê.

A programação é gratuita e requer inscrição para participação.

Memória, resistência e ancestralidade não são conceitos separados

Talvez uma das maiores contribuições da Semana da Mãe Preta esteja justamente em aproximar esses três conceitos.

Memória é aquilo que permite reconhecer quem veio antes.

Resistência é aquilo que transforma a lembrança em ação.

Ancestralidade é aquilo que estabelece continuidade entre passado, presente e futuro.

Quando esses elementos se encontram, a história deixa de ser apenas uma narrativa sobre acontecimentos passados e passa a funcionar como ferramenta de construção de identidade.

Essa discussão também dialoga com pesquisas acadêmicas contemporâneas sobre mulheres negras e comunidades tradicionais. Estudos recentes têm mostrado como a oralidade, as memórias coletivas e as experiências transmitidas entre gerações podem funcionar como formas de preservação de conhecimentos e estratégias de resistência diante de desigualdades históricas.

É por isso que iniciativas culturais como a Semana da Mãe Preta têm importância que ultrapassa a agenda de eventos de Salvador.

Elas produzem memória.

E produzir memória também é produzir conhecimento.

Cultura negra também movimenta educação, economia e território

Outro aspecto importante da programação de 2026 está na presença do empreendedorismo, da moda, da educação, da comunicação, da cultura e da organização social.

Isso mostra que discutir mulheres negras não significa restringir o debate à representação cultural.

Existe também uma dimensão econômica.

A moda afro-brasileira, por exemplo, movimenta profissionais, estilistas, costureiras, produtoras, empreendedoras e diferentes cadeias criativas. O mesmo acontece com a música, a produção cultural, o audiovisual, o turismo e outras atividades relacionadas à economia da cultura.

Em Salvador, essas dimensões estão diretamente ligadas ao território.

O Curuzu não é somente cenário. É parte da produção cultural que tornou o Ilê Aiyê uma referência nacional e internacional da cultura afro-brasileira.

A Secretaria de Cultura da Bahia reconhece a importância do Ilê Aiyê para a identidade cultural de Salvador e destaca a dimensão social, cultural e econômica das manifestações ligadas ao bloco e ao território da Liberdade.

Isso nos lembra de algo que muitas vezes passa despercebido: cultura também gera trabalho, renda, pertencimento e desenvolvimento local.

Por que a Semana da Mãe Preta existe?

Em 2026, a Semana da Mãe Preta acontece em um momento em que as discussões sobre representatividade, memória, racismo, identidade, empreendedorismo negro e valorização dos conhecimentos produzidos pela população negra continuam presentes na sociedade brasileira.

Mas existe uma pergunta que merece ser feita:

Quem estará contando a história das mulheres negras daqui a 50 anos?

Se não registrarmos nossas histórias, outras pessoas continuarão escolhendo quais personagens merecem aparecer.

Por isso, preservar fotografias, documentos, relatos, músicas, pesquisas, obras de arte, experiências comunitárias e memórias familiares não é apenas uma atividade cultural. É uma forma de garantir que futuras gerações tenham acesso às próprias referências.

A Semana da Mãe Preta faz isso por meio do encontro.

E talvez essa seja uma das suas maiores forças.

Não é apenas uma semana para lembrar mulheres negras.

É uma semana para reconhecer que elas sempre estiveram construindo caminhos.

 Semana da Mãe Preta 2026

  • Evento: Semana da Mãe Preta 2026
  • Tema: “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”
  • Datas: 15, 16 e 18 de setembro de 2026
  • Local: Terreiro Acé Jitolu, Curuzu, Liberdade, Salvador, Bahia
  • Entrada: gratuita
  • Realização: Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê e Ministério da Cultura
  • Participação: mediante inscrição gratuita
  • Site oficial: Página oficial da Semana da Mãe Preta 2026, Ilê Aiyê
  • Link de inscrição: Formulário de inscrição

A programação oficial deve ser consultada antes do deslocamento, especialmente em relação aos horários e orientações de participação.

Perguntas frequentes sobre a Semana da Mãe Preta 2026

Quando acontece a Semana da Mãe Preta 2026?

A Semana da Mãe Preta 2026 acontece nos dias 15, 16 e 18 de setembro de 2026, em Salvador, Bahia.

Onde será realizada a Semana da Mãe Preta?

As atividades acontecem no Terreiro Acé Jitolu, no Curuzu, bairro da Liberdade, em Salvador.

Qual é o tema da Semana da Mãe Preta 2026?

O tema é “Mulheres Negras: Memória, Resistência e Ancestralidade”.

Quem promove a Semana da Mãe Preta?

A iniciativa é promovida pelo Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, e é realizada desde 1979 como um espaço dedicado à memória, reflexão e formação sobre o protagonismo das mulheres negras.

A Semana da Mãe Preta 2026 é gratuita?

Sim. A programação de 2026 é gratuita, mas a organização orienta o público a realizar inscrição para participar das atividades.

Quem foi Mãe Hilda Jitolu?

Mãe Hilda Jitolu, nascida Hilda Dias dos Santos, foi uma ialorixá, educadora e liderança comunitária de Salvador. Em 1952, fundou o Terreiro Acé Jitolu, no Curuzu, território diretamente relacionado à história do Ilê Aiyê, criado em 1974.

Para lembrar:

A Semana da Mãe Preta nos convida a olhar para as mulheres negras não apenas como personagens de uma história já construída, mas como autoras de histórias que continuam sendo escritas.

Memória é presença, ancestralidade é continuidade.

E resistência também pode ser o ato de ensinar uma criança quem foram as mulheres que abriram os caminhos antes dela.

Quando uma geração conhece suas referências, ela não começa do zero. Ela começa de um lugar muito mais poderoso: sabendo de onde veio.

E um outro lembrete!
Dia 15 de Setembro: Celebre o dia mundial do cabelo afro, clique no link abaixo e leia a matéria sobre esse dia.
Link: Dia Mundial do Cabelo Afro!

Um beijo e até o próximo  post!

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