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Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciências 2026: bolsas no exterior ampliam caminhos para mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas na ciência

Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência recebe inscrições até 30 de setembro e aposta na internacionalização de trajetórias historicamente sub-representadas na pesquisa

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Uma oportunidade importante está aberta para pesquisadoras brasileiras que ainda enfrentam barreiras históricas para avançar em suas trajetórias acadêmicas e científicas. A segunda edição da Chamada Pública Atlânticas 2026, também denominada Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, recebe inscrições até 30 de setembro de 2026.

A iniciativa é realizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Ministério das Mulheres (MMulheres). O programa seleciona mulheres negras, incluindo pretas e pardas, mulheres quilombolas, indígenas e ciganas para realizar parte de suas pesquisas de doutorado ou projetos de pós-doutorado em instituições no exterior.

As bolsas poderão ser concedidas nas modalidades Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior (DEJ), Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior (DES) e Pós-Doutorado no Exterior (PDE). As atividades apoiadas deverão ser implementadas entre março de 2027 e dezembro de 2028.

Mas uma chamada como essa representa muito mais do que uma oportunidade individual de estudar fora do país.

Ela toca em uma questão que o Brasil ainda precisa enfrentar com seriedade: quem consegue chegar aos espaços de produção de conhecimento, quem tem condições de permanecer neles e quem consegue estabelecer redes internacionais capazes de ampliar sua carreira científica?

Por que um programa de bolsas para grupos específicos é necessário?

Durante muito tempo, a ciência brasileira foi apresentada como se fosse um território neutro, acessível a qualquer pessoa que demonstrasse talento e dedicação. A realidade, entretanto, é mais complexa.

O acesso à pós-graduação, às bolsas de pesquisa, aos congressos internacionais e às oportunidades de formação no exterior é atravessado por desigualdades sociais, raciais, econômicas e de gênero.

Para uma pesquisadora que não possui uma rede familiar com experiência acadêmica internacional, recursos financeiros para viagens ou contatos em universidades estrangeiras, uma oportunidade de doutorado-sanduíche ou pós-doutorado fora do Brasil pode parecer distante. A bolsa, nesse contexto, não oferece apenas financiamento. Ela pode abrir uma porta que, sem apoio institucional, permaneceria fechada.

A Chamada Atlânticas foi estruturada justamente para ampliar o acesso de pesquisadoras negras, quilombolas, indígenas e ciganas a experiências de formação e cooperação científica internacional. Entre seus objetivos estão o fortalecimento das trajetórias acadêmicas, o desenvolvimento científico e tecnológico e a participação de pesquisadoras brasileiras em redes internacionais de cooperação.

Isso importa porque internacionalizar a ciência não significa simplesmente enviar pessoas para outros países.

Significa permitir que pesquisadoras estabeleçam vínculos com universidades e centros de pesquisa estrangeiros, compartilhem conhecimentos, desenvolvam novas metodologias, participem de redes acadêmicas e retornem ao Brasil com experiências que podem fortalecer suas próprias instituições e áreas de pesquisa.

O nome de Beatriz Nascimento não está ali por acaso

Minha curiosidade aguçada, me fez ir atrás para saber quem essa Beatriz Nascimento.
O programa homenageia Maria Beatriz Nascimento, historiadora, professora, intelectual e uma das importantes referências do pensamento negro brasileiro.

Nascida em Aracaju, Sergipe, em 1942, Beatriz Nascimento construiu uma trajetória marcada pela pesquisa histórica e pela reflexão sobre a experiência da população negra no Brasil. Durante cerca de duas décadas, estudou as formações dos quilombos e contribuiu para ampliar a compreensão sobre esses territórios como espaços de resistência, organização social e continuidade histórica.

Sua produção também foi fundamental para o pensamento feminista negro brasileiro. Beatriz Nascimento investigou as formas de discriminação que atravessavam a vida e os corpos das mulheres negras, articulando raça, gênero, identidade e território.

Na Universidade Federal Fluminense (UFF), participou da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, uma iniciativa importante para a organização de estudantes e pesquisadores negros no ambiente universitário. Também esteve ligada ao movimento negro brasileiro.

Beatriz Nascimento foi assassinada em 1995, quando ainda cursava mestrado em Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 2021, recebeu o título de doutora honoris causa in memoriam pela UFRJ.

Dar seu nome a um programa de incentivo à formação científica de mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas produz uma conexão simbólica e política bastante significativa.

Beatriz passou boa parte de sua vida questionando quem tinha o direito de produzir conhecimento sobre a população negra e quais histórias eram consideradas legítimas dentro da universidade. Um programa que amplia a presença de mulheres historicamente sub-representadas na ciência dialoga diretamente com esse legado.

O que a Chamada Atlânticas pode transformar?

A pesquisa científica não produz impacto apenas dentro de laboratórios ou universidades.

Ela influencia políticas públicas, tecnologias, práticas de saúde, educação, inovação, economia e a forma como uma sociedade compreende seus próprios problemas.

Quando diferentes grupos sociais conseguem participar da produção científica, novas perguntas passam a ser formuladas.

Uma pesquisadora quilombola pode trazer questões específicas sobre território, saúde e conhecimentos tradicionais. Uma pesquisadora indígena pode contribuir para pesquisas relacionadas às comunidades e aos modos de vida de seus povos. Uma cientista negra pode investigar problemas que durante décadas foram ignorados ou tratados de forma insuficiente pela ciência tradicional.

Isso não significa que uma pessoa de determinado grupo deva pesquisar apenas temas relacionados à sua identidade. Significa reconhecer que experiências sociais diferentes também podem ampliar as perguntas, as perspectivas e as possibilidades da ciência.

O investimento total previsto para a edição de 2026 é de R$ 4,92 milhões, com recursos do CNPq, do Ministério da Igualdade Racial e do Ministério das Mulheres. A chamada faz parte de um conjunto de ações voltadas à ampliação da equidade racial e de gênero na ciência brasileira.

E talvez seja justamente essa uma das questões mais importantes do programa.

A ciência que queremos construir precisa ser capaz de reconhecer que talento existe em todos os lugares. O que não existe, de forma igualmente distribuída, são as oportunidades.

Por isso, políticas públicas de inclusão científica não devem ser vistas como concessões ou privilégios. Elas são mecanismos para enfrentar desigualdades que foram construídas ao longo da história.

Como se inscrever na Chamada Atlânticas 2026?

As pesquisadoras interessadas em participar da Chamada Pública MCTI/CNPq/MIR/MMulheres/MPI nº 20/2026 Atlânticas, Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, devem realizar a submissão da proposta por meio da Plataforma Integrada Carlos Chagas (PICC), sistema eletrônico utilizado pelo CNPq para o recebimento de propostas.

O prazo de inscrição vai até 30 de setembro de 2026. A chamada prevê que as propostas sejam submetidas exclusivamente pela plataforma eletrônica indicada no edital.

Antes de iniciar a inscrição, é importante ler integralmente o edital e verificar os requisitos específicos da modalidade de bolsa pretendida. A chamada oferece três modalidades:

  • DEJ, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior, modalidade equivalente ao doutorado-sanduíche no exterior;
  • DES, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior;
  • PDE, Pós-Doutorado no Exterior.

Os requisitos acadêmicos variam conforme a modalidade. De acordo com as informações divulgadas pelo CNPq, a modalidade DEJ exige formação em nível superior, enquanto a DES exige doutorado e a PDE é destinada a pesquisadoras em estágio de pós-doutorado. A candidata também precisa observar os demais critérios de elegibilidade previstos no edital.

O que preparar antes de enviar a proposta?

A preparação antecipada é importante porque a inscrição não se resume ao preenchimento de um formulário.

O edital determina que informações como os dados da proponente, da candidata à bolsa, do orientador ou supervisor e das instituições envolvidas estejam devidamente cadastradas nos sistemas correspondentes. Para pessoas com CPF, o cadastro deve ser realizado no Currículo Lattes. Orientadores ou supervisores que não possuam CPF podem utilizar o Currículo Lattes ou o ORCID, identificador digital utilizado para diferenciar pesquisadores e suas produções acadêmicas.

A proposta também deve incluir um projeto de pesquisa científica, tecnológica ou de inovação, ou um plano de trabalho, conforme a modalidade. Entre os elementos exigidos estão:

  • identificação da pesquisadora e das instituições envolvidas;
  • título, resumo e palavras-chave em português e inglês;
  • objetivo geral e objetivos específicos;
  • metodologia;
  • cronograma de execução;
  • referências;
  • justificativa sobre a relevância da realização da pesquisa no exterior;
  • plano de divulgação científica voltado ao público não especializado.

Esse último item merece atenção. O edital não trata a divulgação científica como um detalhe secundário. O plano deve mostrar como o conhecimento produzido poderá ser compartilhado com a sociedade, ampliando a circulação e a apropriação dos resultados da pesquisa.

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Um convite para pensar no futuro da ciência

A Chamada Pública Atlânticas 2026 oferece bolsas para uma etapa específica da formação acadêmica. Mas seus possíveis efeitos podem ir muito além do período financiado.

Uma pesquisadora que participa de uma rede internacional pode estabelecer novas parcerias. Uma estudante que tem acesso a um centro de pesquisa estrangeiro pode desenvolver conhecimentos que serão compartilhados com outras pessoas. Uma cientista que ocupa espaços historicamente negados pode se tornar referência para meninas e jovens que ainda não conseguem imaginar a si mesmas dentro de uma universidade ou de um laboratório.

É assim que a transformação também acontece.

Uma oportunidade individual pode se tornar uma rede. Uma rede pode gerar conhecimento. O conhecimento pode influenciar políticas públicas, formar novas pesquisadoras e modificar a própria maneira como a ciência brasileira se enxerga.

As inscrições para a segunda edição da Chamada Pública Atlânticas, Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, ficam abertas até 30 de setembro de 2026. A chamada oficial é a MCTI/CNPq/MIR/MMulheres/MPI nº 20/2026 e as candidatas interessadas devem consultar integralmente o edital e os requisitos de participação antes de submeter uma proposta.

A pergunta que fica é: quantas pesquisadoras talentosas ainda estão deixando de participar da ciência internacional porque nunca tiveram acesso às condições necessárias para chegar até lá?

Talvez uma política pública como a Atlânticas não resolva sozinha todas as desigualdades da academia. Mas cada bolsa concedida pode representar uma mudança concreta na trajetória de uma pesquisadora e, ao mesmo tempo, uma mudança na própria ciência brasileira.

Porque quando mais mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas ocupam os espaços de produção do conhecimento, não são apenas elas que atravessam uma porta.

A própria ciência se transforma.

Perguntas frequentes sobre a Chamada Pública Atlânticas, Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência 2026

O que é a Chamada Pública Atlânticas 2026?

A Chamada Pública Atlânticas 2026 é uma iniciativa que seleciona mulheres negras, incluindo pretas e pardas, quilombolas, indígenas e ciganas para realizar parte de pesquisas de doutorado ou projetos de pós-doutorado em instituições no exterior, com apoio de bolsas de pesquisa.

Até quando estão abertas as inscrições para o Programa Atlânticas 2026?

As inscrições para a Chamada Pública MCTI/CNPq/MIR/MMulheres/MPI nº 20/2026 podem ser realizadas até 30 de setembro de 2026.

Quem pode participar da Chamada Atlânticas 2026?

O programa é destinado a mulheres negras, pretas e pardas, mulheres quilombolas, indígenas e ciganas, conforme os critérios e requisitos estabelecidos no edital oficial

Quais modalidades de bolsa são oferecidas?

A chamada prevê bolsas nas modalidades Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior (DEJ), Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior (DES) e Pós-Doutorado no Exterior (PDE).

Quando as bolsas da Chamada Atlânticas 2026 serão implementadas?

As bolsas deverão ser implementadas entre março de 2027 e dezembro de 2028, conforme as regras da chamada pública.

Onde consultar o edital e fazer a inscrição?

Para evitar informações desatualizadas ou intermediários não oficiais, as candidatas devem consultar diretamente os canais institucionais.

Edital completo da Chamada Pública Atlânticas 2026:

Link: <id=”edital” a href=”https://www.gov.br/cnpq/pt-br/chamadas/todas-as-chamadas/chamadas-2026/chamada-no-20-2026/chamada-publica-cnpq-N-20-2026?utm_source=chatgpt.com” target=”_blank” rel=”noopener”>Consultar o edital oficial da Chamada Atlânticas 2026

Página oficial da chamada no CNPq:

Link: Acessar a página oficial da Chamada Pública nº 20/2026

Plataforma Integrada Carlos Chagas, utilizada para a submissão da proposta:

Link: Acessar a Plataforma Integrada Carlos Chagas

A recomendação é não deixar a submissão para os últimos dias. Além de reunir documentos e preparar a proposta, a candidata precisa conferir cuidadosamente os critérios da modalidade escolhida, preencher todos os campos obrigatórios e revisar os anexos antes do envio.

Uma oportunidade como essa pode transformar uma trajetória acadêmica, mas exige planejamento.

Para pesquisadoras que atendem aos critérios, o primeiro passo é consultar o edital completo. O segundo é verificar a própria elegibilidade. O terceiro é organizar a documentação e estruturar uma proposta capaz de demonstrar não apenas a qualidade da pesquisa, mas também a relevância da experiência internacional para sua trajetória acadêmica, científica ou tecnológica.

A ciência também se constrói nos detalhes. E, em uma chamada pública, compreender corretamente as regras de participação pode ser a diferença entre uma proposta que consegue chegar à avaliação e uma candidatura interrompida por uma exigência documental.

Um beijo e até o próximo post!

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