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NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Cláudia Walleska

NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Série de questões enviadas para escritoras negras e escritores pretos que gentilmente responderam

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· 4 min de leitura

NOTAS DE ESCURECIMENTO POR ESCRITO – Cláudia Walleska
Foto: Acervo Portal Afro

Escritora de hoje: Cláudia Walleska


ENTRE NÓS

Entre nós,

Existem nós sufocados

No dia a dia silenciados

Ou ignorados,

Pelos gritos diários

Entre nós, há algo velado,

Declaradamente, não falado

Nós internos, que nos calam

Há olhares e sorrisos

Mas há choros escondidos

Tem amarras e receios guardados

Entre nós há muito a ser contado

Esses nós, precisam ser desatados

Para atingir uma linha tênue,

De afeto e cuidado.

Entre nós, há nós

Que precisam ser desatados

E Este cuidado,

Essa retirada de nós,

Só pode ser feita,

Entre nós.

Poema publicado em Cadernos Negros – volume 45 – 2024

CONVERSAS

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Por gentileza, se apresente:

CLÁUDIA WALLESKA: Sou Claudia Walleska, mãe do Bruk e do Malik, esposa do Claudio Bispo, que gosta de escrever poemas, contos, músicas e tenho livros publicados desde 2008. Escritora de cadernos negros, do narrativas pretas, entre outras coletâneas. Cofundadora do coletivo de escritoras negras Flores de Baobá e enfermeira sanitarista.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como é você leitora?

CLÁUDIA WALLESKA: Diversificada, gosto de leituras simples as de Carlos Drummond e das complexas como as de Steve Biko.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como foi e é para você a publicação do Livro?

CLÁUDIA WALLESKA: Sempre novo, sempre surpreendente e sempre esperado como a vinda de um filho programado. Tenho 15 livros publicados, todas coletâneas e sempre é diferente e gostoso de fazer parte.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Para que você escreve?

CLÁUDIA WALLESKA: Acho que todo artista, faz sua arte a fim de encontrar “os seus” e numa sociedade tão desigual racialmente, eu, escritora preta, procuro pela leitura encontrar estrutura de afeto com pessoas de todas as raças que sonham em construir um mundo menos racista, homofóbico e preconceituoso. Um país para todos.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Quais suas negras influências?

CLÁUDIA WALLESKA: Mário de Andrade, Carolina de Jesus, Steve Biko, Conceição Evaristo, Catita, Esmeralda Ribeiro, Joice Aziza, Benedito Alves, Mari Vieira, Samira Calais, Lia Vieira, Marli Aguiar, Zainne, Kiusan de Oliveira, Lélia González, Sueli Carneiro, Akins, Sacolinha, Solange Trindade, Bell Hooks, Ralph Ellison e muitos outras.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Qual foi o seu primeiro e decisivo ato literário?

CLÁUDIA WALLESKA: Começar a escrever em um diário, em forma de rap e poesias na adolescência.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Conceição Evaristo cunhou um termo escrevivência. O termo aponta para uma dupla dimensão: é a vida que se escreve na vivência de cada pessoa, assim como cada um escreve o mundo que enfrenta. Essa ideia se faz letras em seus escritos?

CLÁUDIA WALLESKA: Sim, faz muito! Pois escrevo sobre questões que impactam negativamente e positivamente em minhas vivências. Ao mesmo tempo escrevo sonhos e expectativas daquilo que observo nos outros.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Cuti afirma que a LITERATURA NEGRO-BRASILEIRA além do negro em primeira pessoa, também prepara o leitor negro. Como tem sida a sua preparação.

CLÁUDIA WALLESKA: Sempre penso na diversidade que há na nossa etnia, somos descendentes de um continente com 59 países por isso é natural sermos plurais, preparar o leitor negro é trazer essa ancestralidade diversificada e esperar, como escritor, reações diferentes também, trazer nossos Orixás, brincar com as palavras dos países originais também é algo que gosto muito, pois desmitifica o senso comum, que foi estrategicamente pensado para o nosso apagamento cultural histórico.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como a sua ancestralidade está nos seus escritos?

CLÁUDIA WALLESKA: Ancestralidade é um imaginário lúdico para mim, uma vez que faço parte de um apagamento histórico social e só conheço a minha história familiar de duas gerações anteriores. Então ela vem nos meus escritos por meio da imaginação literária que possibilita descrever o melhor de nós e dos meus ancestrais.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Como é, para você ser uma escritora negra no Brasil?

CLÁUDIA WALLESKA: Difícil, penoso porque tem pouco retorno financeiro. Apesar de amar escrever, não posso depender financeiramente da escrita, por isso amo também ser profissional da saúde.

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NOTAS DE ESCURECIMENTO: Inspiração ou transpiração?

CLÁUDIA WALLESKA: Sou calma, penso bem antes de agir.. então sou bem mais voltada à inspiração.

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 6 de julho de 2024.

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