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Hair Love – O amor ao que somos

A população brasileira não está acostumada a assistir curta metragens. Quem produz esse gênero cinematográfico diz que os espaços para exibição de filmes nacionais, quando longa-metragem, já são…

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Hair Love – O amor ao que somos
Foto: Acervo Portal Afro

ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM:

“HAIR LOVE ”

A população brasileira não está acostumada a assistir curta metragens. Quem produz esse gênero cinematográfico diz que os espaços para exibição de filmes nacionais, quando longa-metragem, já são poucos; Quando são curtas, menos ainda. Ainda mais quando se trata de uma animação.

Talvez um dos motivos é achar que em tão pouco tempo a história possa ser superficial e não nos envolva como espectadores. Isso é o que mais se passa pela cabeça no começo de “Hair Love”. Amor pelo cabelo (conforme tradução brasileira). Alguns podem pensar: Um filme para falar somente sobre isso? Além de não ser possível se aprofundar pelo tempo do filme, esse tema não seria quase ingênuo para atrair o interesse público?

Ingênuo quem acredita nisso.

O assunto cabelo pode parecer tolo se você desconhece os relevos a quantidade de dilemas que permeiam o preconceito racial, e o curta passeia muito bom pelo assunto.

A saga da garota que deseja ajeitar suas madeixas afro de uma bela forma conforme sua identidade, sem habilidades para tanto e diante de um pai que não domina as características dos fios, serve para demonstrar de forma sensível, um roteiro que fala do início ao fim em amor e determinação.

hair love no oscarMatthew A. Cherry descobriu vários videos virais nos quais aparecem pais afro americanos penteando o cabelo de suas filhas, e a partir daí se inspirou para criar a história do filme. A inspiração antes de virar um roteiro e o curta, virou um livro.

Se analisarmos detalhadamente, perceberemos que o roteiro usa como pano de fundo uma história carismática, de estética / ilustração simples, para tratar principalmente sobre representatividade.

O humor no ato / na luta em não conseguir pentear o cabelo da personagem principal, toca na verdade, na dificuldade da população negra em se encaixar em padrões sociais que não são os seus e padrões esses que desconsideram as características raciais daqueles que não são brancos e / ou “caucasianas” (popularmente falando).

O encantador e carismático filme levou o Oscar de Melhor Animação em Curta Metragem merecidamente, pois nos prende e informa de maneira lúdica, submergindo o espectador numa realidade dura sem que ele perceba.

Não se pode dizer que é uma animação infantil, pois apesar de certamente dialogar com a plateia dos “pequenos”, foi feito e pensado para toda a família.

Uma animação que ataca o coração, não sem antes nos fazer pensar.

E seu maior mérito é ensinar – principalmente ao público infantil que deve se identificar através da personagem principal – a se amar, mesmo que a sociedade tente dizer o contrário.

Representatividade em forma de animação.

Cotação: 🌟🌟🌟🌟🌟 excelente

Ficha técnica:

Client: Sony Pictures Animation

Writer and Director: Matthew A. Cherry

Director: Ewerett Downing Jr.

Director: Bruce W. Smith

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 13 de fevereiro de 2020.

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