Apoie

Notícias

“Entre Homens”: A representação do amor

O experimento “Entre Homens” inicia-se de forma impactante, com bastante singularidade e autenticidade na exploração da linguagem visual.

Por
· 2 min de leitura

“Entre Homens”: A representação do amor
Foto: Acervo Portal Afro

Teatro :

“ENTRE HOMENS”

O experimento “Entre Homens” inicia-se de forma impactante, com bastante singularidade e autenticidade na exploração da linguagem visual. Isso na sua primeira parte, onde acompanhamos a encenação de um diálogo quente entre dois rapazes via online. A direção de César Augusto é uma exploração de estilos gráficos e o uso de divisões de tela, que prende a atenção do espectador que aguarda com expectativa, saber para onde o autor Rogério Corrêa tentará levá-los, pois de prima o texto da parte I – “Conectados”, ilustra com assertividade as conversas e relacionamentos picantes e virtuais de um flerte gay, com todas as suas frases e questionamentos óbvios que caracterizam qualquer conversa em app de “pegação”.

Entre Homens

Com o andamento do primeiro “Ato” percebemos que se observarmos bem de perto, o texto fala sobre comportamentos, sobre solidão, sobrepessoas e sobre lugares – distintos um dos outros, mas que rondam em torno de um só assunto: O amor.

A impossibilidade do amor e até onde pode chegar o preconceito contra o relacionamento homoafetivo são aprofundados diante da próxima cena chamada “Por Amor” .

Chama a atenção a narrativa na segunda parte, com um texto fragmentado que obriga o ator à representar e narrar ao mesmo tempo, devido também às características do seu personagem.

O elenco atua de forma delicada e bem orquestrada para atingir um tom de cotidiano que nos faz esquecermos de que estamos assistindo uma encenação, tão já acostumados estamos com reuniões e bate-papos em forma de videochamada no nosso dia a dia pandêmico; Também graças ao talento e domínio técnico dos atores.

O ator Isaac Bernat é um destaque com sua delicada interpretação, nos mostrando nuances sentimentais de sua personagem e uma dinâmica bem controlada diante de uma narrativa tão positivamente inconstante.

“Entre Homens” não é teatro, pelo menos, ainda não, pois trata de partes de um projeto mais completo e complexo. Como a própria equipe se autodenomina: por enquanto é um projeto. Um belo projeto.

A dramaturgia de Rogério Corrêa é mais intrigante e sensível no segundo ato, onde questionamentos nos conectam com questões de profundezas humanas que deveriam ser encaradas com mais seriedade por nossa sociedade.

Entre HomensDestaca-se no projeto a criatividade conceitual e o domínio técnico nesse tipo de transição online, no qual infelizmente não nos empolgamos tanto a assistir mais as obras teatrais, pois na maioria das vezes carece de explorações do formato que saiam da mesmice das lives com suas iluminações estourados e gestos exagerados.

Podemos descrever “Entre Homens” como uma obra que leva teatro de qualidade, elaborada em seu conceito e profunda na psique do ser humano.

Cotação: 🌟🌟🌟🌟Ótimo

FICHA TÉCNICA

texto: Rogério Corrêa

Direção Geral: César Augusto

Elenco de “Por Amor”: Isaac Bernat

Elenco de “Conectados”: Márcio Nascimento, Alexandre Mitre, Thadeu Matos e Lucas Popeta

Participação Especial: Maria Adélia

Assistente de direção em “Por Amor” : João Gofman

Assistente de direção em “Conectados” : Gabriel Albuquerque

Figurinos: Marcelo Olinto

Idealização: Rogério Corrêa e André Roman

Realização: Ar Produções

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 18 de maio de 2021.

Compartilhe WhatsApp Facebook X

Mais de Apollo Faria

Todas

Leia também em Notícias

Ver a editoria