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As Violentas Metáforas da Vida Negra

Se você comparecer para prestigiar o espetáculo teatral “Violento” em sua temporada no SESC Consolação ou em qualquer outro local, vai se deparar com uma série de signos repletos de significados…

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· 2 min de leitura

CRÍTICA TEATRAL:

ESPETÁCULO: “VIOLENTO”

Se você comparecer para prestigiar o espetáculo teatral “Violento” em sua temporada no SESC Consolação ou em qualquer outro local, vai se deparar com uma série de signos repletos de significados relevantes à realidade negra.

Desde o início presenciamos um único ator em cena (Preto Amparo) que nos leva por um caminho pelo qual nos perguntamos diversas vezes: onde isso vai dar? O que eles querem dizer exatamente? Qual a moral da história?

Esqueça as perguntas óbvias respondidas pelo formato antigo de muitas produções artísticas. “Violento” não tem absolutamente nada de óbvio e previsível.

Apesar de ser um monólogo, o ator Preto Amparo não tem a clássica “super interpretação” onde o ator, para cobrir buracos de tempo ou marcações de cena, exagera nas expressões de corpo e fala tentando desesperadamente ser entendido pelo público presente. com pouquíssimas palavras, seu trabalho é mais interno do que externo, trazendo assim um caleidoscópio de sentimentos que pode ser preenchido pelo sentimento semelhante de quem assiste e passou pelo que o personagem passa. Há que se elogiar Preto Amparo, que tem um ótimo domínio interno na sua função.

Não há muito o que se dizer sobre cenários e figurinos, pois maior parte do tempo o ator interpreta nu e o cenário inexiste, composto somente por alguns objetos de cena e algumas projeções de vídeo ultra significativas, o que faz muito sentido e abre a visão para a série de informações metafóricas que virão.

O ponto que mais brilha no espetáculo é sem dúvida a avalanche de símbolos que acompanha mensagens, sensações, lembranças e referências. As metáforas nos toca, comunica e especialmente o público negro, para quem o espetáculo parece ser feito, entende cada um desses signos, desde a perseguição do carro de polícia ao cidadão negro, no início, até a sensível e tocante entrega de flores seletiva.

A trilha sonora e a iluminação foram criadas com uma precisão que faz com que você esqueça que elas existam, sendo assim, são assertivas como técnica, pois no teatro não deve se sobressair e sim fazer com que a história brilhe.

Só nos resta então elogios à direção inteligente de Alexandre de Sena que desenvolve muito bem as várias cenas em torno de cada signo e ao conceito artístico da obra que valoriza mais sentimentos e sensações em torno do sofrimento negro do que acontecimentos e /ou uma dramaturgia linear.

Um instigante formato para comunicar àquele que não é negro sobre os sentimentos de o ser numa sociedade racista e também para espelhar, para quem é negro, nossas vidas.

Há melhor arte do que aquela que instiga?? Eu concluo que não!

Avaliação: ⭐⭐⭐⭐ótimo

Atuação Preto Amparo Direção Alexandre De Sena Assessoria Dramatúrgica Aline Vila Real Preparação Corporal Leandro Belilo/Cia Fusion De Danças Urbanas Assessoria Trilha Sonora Barulhista Ilustração Cata Preta Registro em Foto e Vídeo Pablo Bernardo Assessoria de Imprensa Alessandra Brito Produção Grazi Medrado Duração: 50min

Fotos: Pablo Bernardo

Matéria do acervo do Portal Afro, publicada originalmente em 18 de fevereiro de 2018.

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