A vila
De Suai
fotos: Cristina Lemos - texto - Jader Nicolau Jr. - Edição
Luiz Gonzaga Neto
Cristina Lemos, médica clínica geral, da cidade de Porto Alegre-RS, Brasil, esteve por 6 meses nesta comunidade nas montanhas do Timor, prestando serviços à comunidade, no intercâmbio do governo brasileiro com o do Timor.
Suas experiências
foram relatadas no longo do vôo, por cerca de 19 horas entre Sidney
e Buenos Aires, no retorno. Ela conta que ao chegar ao hospital, não
tinha água para assepsia, os leitos não tinham lençóis,
nem na sala de parto, onde as crianças nasciam sem cuidados de higiene.
Assim, ela passou estes seis meses contando com a colaboração
de tropas australianas e de outros paises, que na medida do possível,
aliviaram alguma coisa das necessidades.
Nestas condições, o índice de mortalidade infantil é
grande, como também é grande o número de mulheres que
morrem ao dar a luz.
Dra. Cristina conta uma cena muito emocionante:
Um homem, acompanhando o parto de sua mulher, percebeu que a mesma teria
poucas chances de sobreviver. Ele então, em um ato de desespero, disse
à médica que se ela conseguisse salvar a esposa, daria o seu
filho, que estava em seus braços, para ela. Apesar de usar todos os
recursos disponíveis não conseguiu êxito em salvar a parturiente
e a criança.
Logo em seguida apareceram membros da família que adentraram nos aposentos
entoando um canto sofrido e triste. A emoção nesta hora foi
muito forte, relata Dra. Cristina.
Outro fato pitoresco foi na sua festa de despedida em Suai, quando no decorrer
da mesma, entrou um morcego. Várias tentativas foram feitas ( paus,
vassouras, etc) para abater o animal, em pleno vôo. Mas um habitante
do local que a estava cortejando, com incrível agilidade capturou o
mamífero no ar. Colocou-o debaixo do seu braço e veio até
ela para oferecer a presa como presente. Para qualquer mulher habitante da
ilha seria uma honraria, mas para quem tinha trauma de infância de morcegos,
foi um sufoco, no qual um amigo a salvou ( não foi o Batman).




