Teixeira de Souza

Antônio Gonçalves Teixeira e Souza nasceu em 28 de março de 1821, do português Manuel Gonçalves, negociante, e da preta Ana Teixeira de Jesus, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Com a independência do Brasil, o pai viu-se obrigado a liquidar o estabelecimento "sem lesar os seus credores" e, conseqüência, em estado quase de penúria, teve de tirar o primogênito Antônio do Curso de Latim, para encaminhá-lo a um modo de vida bem mais rude: aprendiz de carpinteiro. Teixeira e Souza foi para a Corte, em 1825, aperfeiçoar-se na profissão. Já com início de tuberculose - "queixa do peito", como se dizia naquele tempo -. Voltou à terra natal onde "lia com ardor todos os bons e maus autores que vinham às mãos".

Aos 20 anos, mortos pais e irmãos, ei-lo sozinho no mundo. Aproxima-se, então, do mulato, Paula Brito, o editor de "A Marmota" e o animador da Petalógica (espécie de sociedade informal que congregava os freqüentadores da loja de Paula Brito, no Largo do Rocio) que lhe publica a tragédia Cornélia (1840), escrita aos 18 anos. Ali, já empregado e colaborador literário do generoso mestiço, Teixeira e Souza conheceu os mais famosos literatos da época. Quando não atendia os fregueses, ouvia e contemplava essa gente, com olhos e ouvidos gulosos, e escrevia versos - os primeiros -, segundo o crítico e historiador das Letras, José Veríssimo. Romances, Teixeira escreveu "na doce ilusão de ganhar mais alguma coisa do que lhe podiam dar o patrão e amigo". Assim, em 1843, publica "O Filho do Pescador" e prossegue laboriosamente tecendo enredos de histórias, compondo versos.

Casou-se, em 1846, com d. Carolina Maria Teixeira e Souza, "senhora desprovida de bens pecuniários, mas rica dos subidos dotes da mais sã virtude". A independência do Brasil, à maneira camoniana, em 12 cantos de oitava rima, escreve Teixeira "numa improvisação rápida" e, apenas compostos os seis primeiros cantos, dirigi-se, confiante, ao então ministro da Fazenda, levando-os como carta de recomendação para um emprego. Dá-lhe o ministro o cargo de guarda da alfândega.

Entre outras solicitações, escoradas no labor literário de romancista e poeta, esta, a última, é mais gratificante: cava com o ministro Nabuco a escrivania de Macaé e consegue mais: a inesperada nomeação para o lugar de escrivão de juiz da 1a. Vara do Comércio da Corte.

Assegurado o emprego - o que para o nosso Teixeira significava a quase abastança - escreve, além dos livros aqui citados, obra intensa, porém de escasso valor literário.

Dele, ainda, além dos livros já citados: "Cânticos Líricos", 1841-1842; "Tardes de um pintor" ou as "Intrigas de um Jesuíta" (romance), 1848-1855; "Maria" ou "A Menina Roubada" (romance), 1859, entre um grande número de obras.

Morreu de tuberculose, em 1861, num 1º de dezembro.