Dia Nacional do Samba
por Cintia Rabaçal
Ele nasceu oficialmente em novembro de 1916 e no seu registro feito na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, consta a paternidade de um certo sr. Ernesto Joaquim Maria dos Santos, mais conhecido como Donga. O recém nascido recebeu o nome de "Pelo Telefone" e ficou sendo, oficialmente, o primeiro samba da História.
Às vésperas da 1ª Guerra Mundial o povo do Rio de Janeiro divertia-se em três diferentes carnavais: o dos pobres (e negros) na Praça Onze de Junho (centro da cidade); o dos remediados na então Avenida Central (atual Rio Branco, também no centro) e o dos ricos nos grandes clubes e nos corsos. O ritmo preferido pelos foliões da época era a marchinha, já derivada da marcha criada por Chiquinha Gonzaga em 1899.
Os grupos que brincavam o carnaval na Praça Onze eram formados por negros baianos radicados na zona da Saúde (centro da cidade) e por ex-escravos vindos dos morros das proximidades, principalmente do Estácio. Todos eram músicos amadores e compositores anônimos, autores de maxixes e marchinhas em geral. Integrante de um grupo de "baianos" da Saúde, Donga foi um marco de pioneirismo ao registrar sua composição na Biblioteca Nacional, fato inédito entre o povão, àquela época. "Pelo Telefone" foi o grande sucesso do carnaval de 1917 e causou furor entre os freqüentadores da Praça Onze.
Nos anos seguintes aconteceu uma quase guerra entre autores cariocas e baianos em torno da paternidade no novo gênero musical e da esperteza de Donga. No meio da briga, o samba foi evoluindo na sua marcação, aprimorando o ritmo e ganhando adeptos, rivalizando com as marchinhas durante os carnavais.
Na década de 20 o grupo de sambistas do Estácio apareceu com um samba diferente, com marcação sincopada e irresistível, muito diferente do maxixe que influenciava os primeiros sambas. Era o nascimento do gênero como o conhecemos hoje e da primeira Escola de Samba, principal produto da manifestação cultural afro-brasileira.


