Artistas Plásticos


Emanoel Araújo
Agnaldo dos Santos
Mestre Didi
Lizar
Marcelo Vieira

Samuel Santiago

Rubem Valentim
Se Mestre Didi permanece ao lado das nascentes, Rubem Valentim (1933-1992) se situa após o rio ter sido adensado pelo grande afluente de arte ocidental. O artista lida com o machado duplo, o oxê de Xangô, o xaxará de Omolu, o ibiri de nãnã, o abebê de Ogum, os símbolos de ferro de Ossanhe e de Ogum, o pachorô de Oxalá em textura lisa num espaço construtivista.
Todos presentes no painel dos orixás que construiu para o Ministério de Relações Exteriores, no Palácio dos Arcos, em Brasília. Todo branco em relevo salientando os emblemas da entidade, constitui uma dedução das colunas que Oscar Niemayer desenha para o Palácio do Planalto (sede do poder executivo), o edifício do Supremo Tribunal Federal e o Palácio da Alvorada, índice da fluidez estrutural, patente em toda a produção do arquiteto. O painel dá a impressão de respaldar não apenas o edifício, mas toda a diplomacia brasileira, menos pela força tectônica que pela telúrica que emana de cada emblema.

A obra de Valentim é uma procissão dos símbolos para as formas. O símbolo funciona como um operador dentro de um sistema enquanto que a forma surge a partir de si mesma, instituindo o próprio fundo. Disso resulta a observação pertinente do crítico de arte Paulo Herkenhoff, que na construção de seu corpus divino, Valentim evita a atmosfera de magia cara a Wifredo Lam, e opta pela ordem e clareza, pela simetria como projeto ordenador do trânsito entre o homem e o mundo.

Na pintura, o branco surge como um sorriso que descortina as trevas, às vezes organizando um malabarismo de luzes disciplinado por formas geométricas. Já o painel é inteiramente luz medida sobre o cheio e o vazio.