O poeta Oliveira Silveira mora em Porto Alegre...

"Porto Alegre sempre teve negros. Antigamente residiam apenas negros no Bairro Colônia, por exemplo. Depois, após a Segunda Guerra Mundial, os terrenos foram adquiridos pelos judeus e os negros afastados para a periferia. Rio Branco e Bonfim também são redutos negros históricos da capital gaúcha."

...mas nasceu em Rosário do Sul, município situado na fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, em 1941. Foi criado na zona rural, na Serra do Caveira, região famosa graças a revolução de 1923, palco das atividades do revolucionário Honório Lemes.

Formado em Letras, Oliveira Silveira é pesquisador e historiador, além de ter o mérito de ser um dos idealizadores da transformação do 20 de novembro em data máxima da comunidade negra brasileira.

Nesta entrevista o escritor desmitifica a imagem do gaúcho, que como tipo social é unicamente apresentado como branco. Na realidade, segundo Silveira, o gaúcho é também negro, pela própria história do estado, que já contava com escravos desde sua formação:

"Haviam escravos nos campos e na lida rural, onde até hoje a presença negra é marcante. Para tanto, basta visitar as estâncias do interior e constatar a presença de negros trabalhando como peões."

A obra e suas influências
"Mãe Preta"
Consciência racial
"Encontrei Minhas Origens"
O movimento negro no sul
"Treze de Maio"
Cultura e resistência
"Cantar Charqueada"

Entrevista realizada em janeiro de 2001 na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre.
Repórter e fotos: Jader Nicolau Jr.

Assessoria: Nina Porto
Edição: Milton César Nicolau