Entrevista: Oliveira Silveira

 

MÃE-PRETA

Filho de branca babujou teu seio,

Negrinho berrou e berrou,

Sinhá nenhuma amamentou.

Por que não existe mãe-branca?

Por que não existe mãe-branca?

- Mãe branca?

Ora já se viu

É muito desaforo!

Oliveira Silveira

Roteiro dos Tantãs

 

O escritor Oliveira Silveira mora em Porto Alegre...

"Porto Alegre sempre teve negros. Antigamente residiam apenas negros no Bairro Colônia, por exemplo. Depois, após a Segunda Guerra Mundial, os terrenos foram adquiridos pelos judeus e os negros afastados para a periferia. Rio Branco e Bonfim também são redutos negros históricos da capital gaúcha."

...mas nasceu em Rosário do Sul, município situado na fronteira oeste do estado do Rio Grande do Sul, em 1941. Foi criado na zona rural, na Serra do Caveira, região famosa graças a revolução de 1923, palco das atividades do revolucionário Honório Lemes.

Formado em Letras, Oliveira Silveira é pesquisador e historiador, além de ter o mérito de ser um dos idealizadores da transformação do 20 de novembro em data máxima da comunidade negra brasileira.

Nesta entrevista o escritor desmitifica a imagem do gaúcho, que como tipo social é unicamente apresentado como branco. Na realidade, segundo Silveira, o gaúcho é também negro, pela própria história do estado, que já contava com escravos desde sua formação:

"Haviam escravos nos campos e na lida rural, onde até hoje a presença negra é marcante. Para tanto, basta visitar as estâncias do interior e constatar a presença de negros trabalhando como peões."

 

Portal Fale-nos sobre seus livros.

Oliveira Silveira - Tenho dez títulos publicados, a maioria em antologias como "Cadernos Negros", "Axé", de Paulo Colina, "Razão da Chama" e o "Negro Escrito", ambos de Osvaldo de Camargo. Também tenho textos publicados no exterior. Na Alemanha, numa coletânea com outros autores negros brasileiros, editada no final de 1988. Nos Estados Unidos, em revistas das universidades de Virgínia e da Califórnia, juntamente com Paulo Colina, Osvaldo Camargo e outros.

Portal Sua terra natal influenciou sua carreira? Como?

Oliveira Silveira Sim. Isto se deu através da escola. No início estudava em casa, pois minha professora também morava no sítio. Mais tarde me transferi para Rosário e fiz o ginasial, adiante mudei para Porto Alegre, onde cursei o clássico e a faculdade.

"A literatura surgiu em minha vida na época em que ainda morava em Rosário. Minha infância foi marcada pela poesia popular, quadrinhas e versos de polca entoados durante os bailes campeiros. Ritmos típicos do meio rural gaúcho. É um momento especial, onde as mulheres tiram os homens para dançar e aí se cantam versos, o par diz uma quadrinha um para o outro, começando pelo rapaz e respondida pela moça. Também me lembro dos "causos" contados pelos mais velhos na cozinha, ao redor do fogareiro. Essas narrativas são um substrato da minha literatura."

Mais adiante tive contato com livros e comecei a escrever. Em 1958 publiquei meu primeiro poema, num jornal de Rosário. Isto foi muito importante para o início de minha carreira. A partir dos estímulos recebidos de amigos continuei a escrever poemas regionalistas, que marcam até hoje meu estilo. Não me desvinculei desta linguagem rural. Claro que depois experimentei outras tendências, até chegar na poesia negra, na medida em que me conscientizava. Esta consciência chegou bem tarde.

 

ENCONTREI MINHAS ORIGENS

Encontrei minhas origens

Em velhos arquivos

Livros

Encontrei

Em malditos objetos

Troncos e grilhetas

Encontrei minhas origens

No leste

No mar em imundos tumbeiros

Encontrei

Em doces palavras

Cantos

Em furiosos tambores

Ritos

Encontrei minhas origens

Na cor de minha pele

Nos lanhos de minha alma

Em mim

Em minha gente escura

Em meus heróis altivos

Encontrei

Encontrei-as enfim

Me encontrei

Oliveira Silveira

Roteiro dos Tantãs

 

Portal Era possível desenvolver uma consciência racial no interior de um estado como o Rio Grande do Sul?

Oliveira Silveira Na escola éramos e ainda somos muito mal informados sobre esses assuntos, ainda mais no campo. Mesmo em Rosário não cheguei a tomar consciência de minha condição de negro. Isto aconteceu apenas em Porto Alegre, quando entrei na faculdade. Por aí pode-se ver a força da discriminação e do racismo em nosso país. De certa forma foi a literatura que me iniciou nesse caminho. Através da leitura fui as poucos tomando contato com textos importantes como Orfeu Negro e a antologia organizada por Senghor, entre outros. Eles foram o estopim de meu despertar. A leitura deste material e meu envolvimento na política estudantil ampliaram meus horizontes.

Portal Era difícil, portanto, construir uma identidade racial?

Oliveira Silveira - O grande problema para a tomada de consciência era que não haviam movimentos ou grupos atuantes. Da escola não se esperava muita coisa. Havia alguma informação sobre escravos e quase nada a respeito de quilombos e movimentos de resistência. No meu caso foi mais difícil pois vim para Porto Alegre como estudante e morava em república, sem nenhum contato com a comunidade negra daqui. Foi estudando a história do negro no Sul que descobri que há muito existiam grupos culturais, teatrais, políticos e outros, que movimentavam-se sem o conhecimento da maioria da sociedade.

Portal Como o negro chegou no Rio Grande do Sul?

Oliveira Silveira - O Rio Grande de São Pedro do Sul, como se chamava antigamente, começou a ser oficialmente colonizado em 1737. Antes disso, desde o século anterior, o negro já circulava neste território. Os comerciantes portugueses de Laguna, em Santa Catarina, passavam por aqui a caminho de Sacramento, no Uruguai. Desnecessário salientar que os braços dessas comitivas eram de negros escravos. Portanto, desde o século 17 esse chão já conhecia os pés da raça negra. Quando em 1725 uma frota chegou ao Rio Grande, atravessando as águas de São José do Norte, o negro já era uma presença constante.

Portal E como era a escravidão aqui? Dizem que era mais branda...

Oliveira Silveira A escravidão nestas terras foi muita violenta. Principalmente durante o ciclo das charqueadas, em Pelotas. Segundo Nicolau Brás, um viajante da época que relatava suas andanças, administrar as charqueadas era como administrar um estabelecimento penitenciário. Aqui também ocorreu a reação do escravo contra o sistema. Consta até a existência de quilombos. O mais comum, porém, era a fuga de negros para o Uruguai, que desde 1727 já era independente. Os uruguaios acolhiam os negros em fuga, claro que por interesse, e estes recebiam um tratamento considerado melhor. Os escravos, portanto, preferiam atravessar a fronteira em busca de um território mais seguro. Existem importantes registros de historiadores como Moacir Flores e Solimar Oliveira Lima, com seu livro "Triste Pampa", além do excepcional trabalho de Cláudio Moreira Bento, que conta a história da presença do negro no Sul do século 17 até 1975! Nestas obras percebemos claramente que a escravidão era violenta. Talvez nas estâncias, pelo tipo de atividade desenvolvida e pelo fato das relações entre donos e escravos ser diferente, fosse "menos" violenta, até pela própria natureza. O fato é que "escravidão é escravidão", e não é boa em nenhum lugar, muito menos aqui. Esta história de escravidão branda é balela.

Portal Então até aqui no Rio Grande do Sul existiram quilombos?

Oliveira Silveira - Existiram quilombos aqui sim! Pesquisadores como Eusébio Assunção, Solimar Oliveira Lima e Guilhermino César, apontam estes núcleos de resistência nas cercanias de Pelotas, Santana do Livramento e Rio Pardo, entre outras localidades. Infelizmente hoje não temos muitos registros de remanescentes. Existem algumas comunidades estabelecidas ao longo da história que estão sendo mapeadas. Este trabalho já foi executado no norte do estado, resta a parte sul, a mais importante. É uma pesquisa fundamental, pois a partir daí poderemos dar início a processos de reparação e de cobrança da dívida social.

Portal E estas comunidades, preservaram suas características culturais, como a religião, por exemplo?

Oliveira Silveira Certamente. Dizem os estudiosos que temos peculiaridades nos cultos africanos daqui que não são encontradas em outras partes do país. Temos duas grandes vertentes: uma definida como Angola Conguense e outra Yorubá ou Gegê Nagô, influenciada pela Nigéria e em menor escala pelo Benin. A presença destas religiões é ostensiva em todo o estado. Porém, acredito que esteja ameaçada. Há uma invasão de pessoas de fora da comunidade que ingressam nesses cultos com interesses puramente comerciais. Ao apropriarem-se do conhecimento, descaracterizam-no e iniciam "negócios" nos países do cone sul. Escrevi um artigo onde alertava a comunidade da necessidade de se criar uma resistência cultural a esses invasores. Os negros cultores destas religiões, que ainda mantém a autenticidade em suas atitudes e moradia, devem ser protegidos desta ameaça.

 

Treze de Maio

Treze de maio traição,

Liberdade sem asas

E fome sem pão

Liberdade de asas quebradas

Como

Este verso.

Liberdade asa sem corpo:

Sufoca no ar,

Se afoga no mar.

Treze de maio já dia 14

O Y da encruzilhada:

Seguir

Banzar

Voltar?

Treze de maio já dia 14

A resposta gritante:

Pedir

Servir

Calar.

Os brancos não fizeram mais

Que meia obrigação

O que fomos de adubo

O que fomos de sola

O que fomos de burros cargueiros

O que fomos de resto

O que fomos de pasto

Senzala porão e chiqueiro

Nem com pergaminho

Nem pena de ninho

Nem cofre de ouro

Nem com lei de ouro

O que fomos de seiva

De base

De Atlas

O que fomos de vida

E luz

Chama negra em treva branca

Quem sabe só com isto:

Que o que temos nós lutamos

Para sobreviver

E também somos esta pátria

Em nós ela está plantada

Nela crispamos raízes

De enxerto mas sentimos

E mutuamente arraigamos

Quem sabe só com isto:

Que ela é nossa também, sem favor,

E sem pedir respiramos seu ar

A largos narizes livres

Bebemos à vontade de suas fontes

A grossas beiçadas fartas

Tapamos-destapamos horizontes

Com a persiana graúda das pálpebras

Escutamos seu baita coração

Com nosso ouvido musical

E com nossa mão gigante

Batucamos no seu mapa

Quem sabe nem com isso

E então vamos rasgar

A máscara do treze

Para arrancar a dívida real

Com nossas próprias mãos.

Oliveira Silveira

Banzo-Saudade Negra

 

Portal A instituição do 20 de Novembro como "Dia Nacional da Consciência Negra" partiu de vocês, negros gaúchos. Como surgiu essa idéia?

Oliveira Silveira O 20 de novembro começou a ser delineado em encontros informais na Rua dos Andradas, aqui em Porto Alegre. Estávamos em 1971. Reuníamo-nos e falávamos muito a respeito do 13 de maio, do fato desta data não ter um significado maior para a comunidade. A partir desta constatação comecei a procurar outras datas que fossem mais significativas para o movimento. Comecei a estudar a fundo a história do negro e constatei que a passagem mais marcante era o Quilombo dos Palmares. Como não haviam datas do início do quilombo, tampouco do nascimento de seus líderes, optei pelo 20 de novembro. Colhi esta informação numa publicação da Editora Abril dedicada a Zumbi, que dava esta data como a de seu assassinato, em 1665. Por ser uma revista, não se apresentava como fonte segura. Resolvi pesquisar um pouco mais, como forma de garantia. mais adiante, no livro "Quilombo dos Palmares", de Edson Carneiro, a data se repetia. Considerei esta fonte segura, pela importância do autor. Além disto, tive acesso a um livro português que transcrevia cartas da época, numa delas era relatada a morte de zumbi, em 20 de novembro de 1665. A partir de então colocamos em ação nossas propostas. Batizamos o grupo de Palmares e registramos seu estatuto, em julho. No dia 20 de novembro do mesmo ano (1971),

Evocamos pela primeira vez o "Dia Nacional da Consciência Negra", na sede do Clube Marcílio Dias.

 

"Há pessoas que imaginam que o Grupo Palmares tenha chegado ao 20 de Novembro através da obra de Décio Freitas, historiador branco que escreveu "Palmares, A Guerra dos Escravos", livro que teve o mérito de pesquisar mais a fundo a vida de Zumbi. O fato é que quando decidimos pela data, não conhecíamos nem Décio Freitas nem sua obra, ele a havia editado no Uruguai, durante o exílio, em agosto de 1971. A decisão de nosso grupo, portanto, é anterior a publicação de seu livro."

 

Portal O racismo no sul é mais forte? Ouvi comentários, por exemplo, que negros não entravam no Centro de Tradições Gaúchas. É verdade?

Oliveira Silveira Este é um caso emblemático. O Centro de Tradições Gaúchas foi criado na década de 40. O modelo era o da estância tradicional do Rio Grande. Uma fazenda de criação de gado, com patrão, capataz e peões. Foi um sucesso, e por iniciativa de tradicionalistas brancos, espalharam-se por todo país. Com o tempo caracterizaram-se como sociedades recreativas, com pretensões culturais. A verdade é que quando os negros aproximavam-se dos Centros eram rechaçados. Foram realmente excluídos.

Por reação, surgiram Centros exclusivos de negros! Isto mesmo, Centros de Tradições Gaúchas criados e frequentados por negros! O mais antigo deles é o "Lanceiros de Calabar", que fica na cidade de Alegrete.

"O racismo está presente no Sul, bem como no resto do país, e seus efeitos são similares. Talvez aqui seja mais evidente, afinal a quantidade de negros é bem inferior a de descendentes de europeus. O fato é que o racismo no Rio Grande do Sul tem as mesmas características históricas de todo Brasil."

Portal E como o movimento negro gaúcho se mobilizou na política e cultura ao longo da história?

Oliveira Silveira Podemos começar em 1892 com a fundação do jornal "O Exemplo", dedicado a questões negras, onde um dos destaques eram os artigos de Esperidião Calixto , que mostravam um alto grau de consciência racial. Calixto foi um infatigável militante na virada do século. O jornal existiu até 1930, foram 37 anos! Um marco na imprensa negra brasileira.

Outro foco de resistência é o Clube Floresta, que já conta com 129 anos. O Floresta fez história. Na década de 20 contava com o Centro Cívico José do Patrocínio, que fomentava atividades culturais, incluindo teatro.

Em Rio Grande, por volta de 1932, ocorreram sessões da Frente Negra Brasileira, um importante movimento surgido em São Paulo no ano anterior.

Consta também a existência da União dos Homens de Cor, comprovada pelos estatutos da entidade encontrados em Osório.

Culturalmente, podemos destacar o Kikumbi no litoral e a congada "Terno de Moçambique" realizada em Osório, tradicional desde o século 19 e atuante até os dias atuais.

Na Porto Alegre do início do século 20 havia uma grande atividade cultural negra que os cronistas chamavam genericamente de "batuque". É evidente que este termo encobria manifestações distintas como jongo, semba, capoeira e o próprio samba.

As Escolas de Samba são uma decorrência dos Blocos que surgiram inicialmente em Pelotas, berço da primeira escola, a "Academia de Samba Praiana".

É um assunto muito extenso...

 

Portal Especificamente, após a criação do Grupo Palmares em 1971, como está o movimento gaúcho?

Oliveira Silveira Depois de Palmares temos outras experiências. Uma das mais significativas foi a criação da "TIÇÃO", com três edições, duas como revista e uma como jornal, entre 1977 e 1980. A seguir vem a formação do núcleo local do MNU Movimento Negro Unificado, que a partir de um certo momento, incorporou-se ao Grupo Palmares. A partir de 80 surgiu o "IAIA DUDU", um grupo artístico de dança e teatro, criado pela atriz Vera Lopes e por Maria Conceição Fontoura. Outro grupo importante é o AFROSUL , que atua na área de dança e música, há mais de 20 anos. Destaco também o "MARIA MULHER", criado em 1987, que é um dos mais atuantes, reunindo trabalhos sociais e culturais de mulheres negras.

Portal E o Projeto "Cabobu"?

Oliveira Silveira - É um festival cultural em Pelotas, com música, palestras e oficinas alusivas ao "Sopapo", um grande tambor que estabelece um diferencial entre o samba do sul e o carioca. Há registros que afirmam que este instrumento exista desde 1826! O idealizador deste evento é Giba Giba (Gilberto Amaro do Nascimento), que conta com a colaboração de Cacaio, Boto e Bucha, tradicionais percussionistas de Pelotas. A festa costuma atrair personalidades como Naná Vasconcelos, Chico César e grupos musicais de todo o estado.

 

"Minha Pelotas Princesinha do Sul, onde negro com branco não faz misturada"

Solano Trindade, que residiu em Pelotas entre 1939 e 1941.

 

Portal Conte-nos um pouco sobre a literatura feita por negros em seu estado.

Oliveira Silveira Ela inicia-se no século 19 e um fato dos mais significativos foi a fundação da Sociedade "Parthenum Literário", que influenciou a cultura e a vida política no Rio Grande do Sul. Nesta sociedade havia um negro chamado Luís da Motta, que publicou um livro de poemas e peças de teatro publicadas no jornal "O Exemplo", que reunia outras poetas negros como Alfredo de Souza e Aurélio de Bittencourt. No início do século 20 aparecem outros nomes. O mais importante foi Paulino Azurenha, que além de escritor foi um dos fundadores do "Correio do Povo". Atualmente podemos contar com nomes de peso como Paulo Ricardo de Morais, Ronald Augusto, Jorge Fróes e Maria Helena Vargas, uma poetisa ficcionista muito interessante, entre outros. Hoje a literatura negra é uma realidade no Rio Grande do Sul. Os autores estão presentes.

Portal Incluindo o senhor...

Oliveira Silveira Oliveira Silveira, a seu dispor...

 

Cantar Charqueada

Até eu cantei charqueada

Chorando a sorte do boi.

Mas descobri que meu canto

Tem raízes noutro campo:

Por trás das cancelas mudas,

Por trás das facas agudas.

Meu canto é uma carne escura

Charqueada a relho na nalga;

É figura seminua

Junto às gamelas de salga.

Carne escura exposta ao vento

Dos varais do saladeiro

Exposta viva ao sol quente

E suas facas carneadeiras.

Carne que se compra e vende

E de bem longe se importa

Se salga, seca e só perde

Quando já é carne morta

E meu canto é dessa carne

Que não é minha e me dói

Sangrando no sol da tarde

De um tempo que enfim se foi

Cabe a mim cantar charqueada

Chorando a sorte do boi?

Oliveira Silveira

Pêlo Escuro