Palmares lança pesquisa sobre religiosidade africana

A Fundação Cultural Palmares e a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), lançaram, em 27 de setembro, na Funarte, em São Paulo, a pesquisa "Cenário da Religiosidade e Religiões de Matriz Africana no Brasil".

Na primeira etapa, que se inicia em outubro, a pesquisa atingirá as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recôncavo, Porto Alegre, Pelotas, Brasília, Recife, São Luís, região do Codó, Belo Horizonte e Belém, sob a coordenação geral do sociólogo e antropólogo Júlio Santana Braga. A previsão é que os trabalhos se estendam até o primeiro semestre de 2002. Cada localidade terá um coordenador de área e uma equipe de aproximadamente 150 captadores de informação.

A pesquisa que será realizado pela Fundação Cultural Palmares em conjunto com UNEGRO e com suporte do CEDENPA (PA), SECUP (BA), CNN (MA), CENARB (MG), CCAFRO (PE), Sociedade Religiosa Africana (DF) e INTERCAB (RJ), tem por objetivo desenvolver estudos críticos, comparativos e realísticos das religiões de matrizes africanas no Brasil. Também irá atuar como facilitadora e fomentadora da preservação da cultura ancestral.
Dos trabalhos, três importantes doumentos serão elaborados:

  1. Levantamento social e estrutural do patrimônio dos sítios, roças, terreiros e casas;
  2. Construção do mapa da ancestralidade cultural e religiosa, das nações, seus cultos, sacerdotisas e sacerdotes, numa amostragem qualitativa e quantitativa;
  3. Um catálogo das principais casas e sua contribuição ao processo de desenvolvimento social, cultural e econômico.

Estes tópicos irão criar elementos que contribuirão para o desenvolvimento e elevação da auto-estima da população afro-brasileira.

Alexandre Mello, diretor de projetos da Fundação Palmares, declarou que "sonha há cinco anos com esta pesquisa".
O Prof. Carlos Moura, presidente da Fundação Cultural Palmares, afirmou que enquanto estiver presidindo a entidade o projeto em questão terá sempre seu apoio.
Juarez Xavier, da Unegro, solicitou aos participantes que abrissem as portas de suas casas para os pesquisadores, e que vários dados da pesquisa seriam disponibilizadas para os mesmos.
O sociólogo e antrpólogo Júlio Santana Braga, foi convidado pela Fundação Palmares para ser coordenador do projeto. Ele citou que uma pesquisa realizada na Bahia, na década de 60, com 133 questionários, ainda é referência até hoje, por falta de outros trabalhos científicos.
No evento, foram apresentados os coordenadores das equipes de captadores de informações.

Maria Aparecida de Laia, presidenta do Conselho da Condição Feminina de S. Paulo.

Mãe Juju
O lançamento do projeto foi um sucesso!
Na parte musical do evento, Lumumba, ao fundo, com a mão na boca, observa seus alunos tocando os tambores que ele também ensina a confeccionar.construir. Na foto à direita, Jorge Mautner e Nelson Jacobina dão seu recado.
Carlos Moura e mãe Olga do Alaketo.
Júlio Santana Braga, com um canto dos ancestrais, selou o lançamento do projeto.
Da esquerda para direita, Faustino, jornalista e mestre de cerimônia do evento, Aroldo Macedo, criador da Revista Raça e da infantil Luana, Cláudia Alexandre, da Central de Comunicação e Carlos Alberto, da Fundação Palmares
Da esquerda para direita, Juarez, da Unegro, o músico Lumumba e Alexandre Mello, da Fundação Palmares.
Na foto acima, Jorge e uma filha de Santo de Mãe Olga.