120 ANOS DE ABOLIÇÃO NÃO CONCLUSA
texto de Jacque Cipriany

Perseguição. Seqüestro. Navio Negreiro. Separação
Separação...... E o Banzo, e o Banzo!

“E o banzo, e o banzo, e o banzo, e o banzo.
Ah! Sinto o cheiro das Matas das Terras de lá Luhanda
Ah! Sinto o cheiro de Terra das Terras de lá Luhanda
Cadê Luhanda? Aonde Está?

Quebra o mastro, quebra a vela, quebra tudo que encontrar,
Quebra dor, quebra saudade, quebra tudo até afundar.”

Correntes. Açoites. Chicote. Tortura.
Rebelião. Fuga. Mocambos. Quilombos
Resistência. Orixás. Atabaques. Capoeira.

“Upa neguinho na estrada, upa pra lá e pra cá.
Virge que coisa mais linda
Upa neguinho começando a andar,
Começando a andar, começando andar
E já começa a apanhar.
Cresce neguinho e me abraça, cresce me ensina a cantar
Eu vim de tanta desgraça, mas muito te posso ensinar
Capoeira posso ensinar. Ziquizira, posso tirar.
Valentia, posso emprestar, Mas Liberdade só posso esperar”

13 de maio 1888. Promulgação da Lei Aurea

Art. 1º - Fica extinta a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogadas as disposições em contrário.
Abram-se a porta das Senzalas e esta negrada que se dane.

Já se perguntam como estávamos nós no dia 14 de maio?
Sem Terra, sem pão, sem lar, sem salário?
Jogados a própria sorte após 350 anos de trabalho?
O que? Você nunca leu sobre isso no livro de didático?
Esqueceram de questionar, por deslize, por viagem.
Esqueceram de contar também
Que impuseram-nos a Lei da vadiagem
E uma tal política do embranquecimento
Para que todo povo preto caísse no esquecimento

Resistimos novamente, por nossos ancestrais, por nossos descendentes
Mas essa parte da história não foi contada pra gente.
Nem o arrembentar dos grilhões, nem o quebrar das correntes
Mas hoje contaremos nossa história de uma forma diferente
A História dos que estão ai sentados é a mesma dos que estão aqui na frente

Ergue a tocha no alto da glória
Quem herói nos combate se fez,
Professor Eduardo também Negro de Altivez
Na sua composição mais que uma atitude
Estaremos eternizados, no hino a negritude

Escadarias do Teatro Municipal de São Paulo
Foi o palco da Fundação do Movimento Negro Unificado
07 de julho de 1978 a grande manifestação
Presidida por Milton Barbosa, o Miltão
E o MNU comemora 30 anos de luta desde sua fundação
Acabou a Ditadura, mas continua a repressão

Falando em Ditadura Clóvis Castro
Só quem viveu pode entender
Sobre essa questão sei que tens muito a dizer
O seu olhar fala por si, conta histórias sem Igual
De um ativista negro na Aliança Nacional

Jornal Hifem, Ébano e Velha Guarda
A comunidade negra era pautada
Política & Comunidade Negra essa temática ai se assume
Antônio Nogueira Lucio e o Bureau Polcomune

Sou negra sem reticências, sem vírgulas, sem ausência
Sou negra balacobaco, sou negra, noite e cansaço.
Sou negra ponto final. Sou negra, jamais desisto
Alzira Rufino, Eu mulher Negra Resisto.

Uns dizem ser lenistas, outros trotskistas, outros marxistas
Ele afirma na verdade ser mesmo é Marleysta
Sebastião Arcanjo, Tiãozinho na militância diária ou no Parlamento
Idealizador da Frente Parlamentar que hoje organiza também esse evento

Militante ativo de Rio Grande da Serra
Bairro Santa Tereza
Uma entre muitas Conquistas o Conselho da Comunidade Negra
Na Pastoral Afro e Operária Paulo Afonso é sempre atento
E agora somando forças com os Amigos da São Bento

Por meio das Comunidades Eclesiais de base, luta junto a Sociedade Civil
Maria José, Agentes de Pastoral Negros do Brasil
Com a nossa luta ficou a principio maravilhada
E descobriu que era necessário também ser indignada
Para que nossa luta fosse por nós mesmos contada

Fala o que pensa sempre em grande estilo
“Fala Preta” Deise Benedito
Especialista em Direitos Humanos, questão de gênero e também de raça
E da juventude negra e parceira Ta ligada
A luta feminista tem mais essa aliada

Com um traço traça a questão racial como nenhum
Para cada pauta do movimento negro Mauricio Pestana tem um Cartum
Os comentários não param, ouvi dizerem até na praça
Nossa que maravilha! Agora tá a nossa cara a Revista Raça!

Janete Pieta, representação racial na Câmara Federal
NUPAN, comissão pró estatuto
O uso da Tribuna tornou se referencial
De denúncia e luta em âmbito Nacional

Anúncio no jornal, até hoje quem ouve se espanta
“Quero empregada doméstica, mas preferencialmente branca”
Pra você pode parecer que soa esquisito,
Mas se tem a pele preta não preenche os requisitos
Simone Diniz, pela sua luta e resistência
OEA condena Brasil por Negligência

O Brasil foi punido por não combater Pratica de racismo
O pais teve que se reparar, teve que se reparar eu afirmo
Acompanhando pelo Instituto do Negro Sinvaldo José Firmo
A luta por justiça contra crime racial e seu legado diário
Tendo que resistir por muitas às pressões do judiciário

Edivaldo Pereira Alves, não está preocupado com ibope
Faz do rap seu instrumento de luta, de resistência Edi Rock
Tamo junto, vamó aí e até mais, pois “A vida é um desafio”
E é preciso ser um “Homem de Aço”, pra correr atrás
Da minha, da sua, da nossa “Formula Mágica da Paz”.

Muitos e muitas lutaram, 120 anos se passaram
Solano Trindade
Mãe Meninha
Lélia Gonzáles
Padre Batista

Outros 120 anos virão
Continuaremos resistindo

Contra a política do embranquecimento
Contra a criminalização do povo preto
Contra a exclusão e discriminação de qualquer jeito
Para que se estabeleça o fim do genocídio da juventude negra
Por nossa cultura, por nossa religiosidade
Por nossa descendência e nossa ancestralidade
Pela luta negra que não se cala
Políticas de reparação já

120 anos se passaram, outros 120 anos virão
Convoco então os combatentes
Ao ouvir o nome respondam presente

Sinvaldo Firmo? Edi Rock? Alzira Rufino? Antônio Lucio? Deise Benedito? Tiãozinho?
Simone Diniz? ? Clóvis Castro? Pestana? Maria José? Professor Eduardo? Janete Pietá, Paulão? Miltão?

Fagner Presente!
Sara Presente!
Denílson Presente!
Jacque Presente!
Assim Seja!
Dunga Tara Sinherê!

Toda população Negra então?
Prontos para continuar a luta por libertação?

Zumbi morreu se foi, mas vai voltar
Em cada negrinho que chorar
Zumbi morreu se foi, mas vai voltar
Em cada negrinha que lutar

Aonde for
Como for
De que forma for
A luta negra não vai se cessar
Não Conseguirão jamais nos calar, pois
A Cada negro que for
A cada negra que for
Outro negro virá
Outra negra virá
Para continuar a lutar