Tom Jobim costumava dizer que só havia três músicas populares dignas do nome neste século: a americana, a brasileira e a do Caribe. E o que as músicas americana, brasileira e do Caribe tiveram em comum? A presença viril, rítmica e altamente musical do negro.

Séculos de batuque no coração da África foram condensados pelos escravos nos porões dos negreiros e, assim que os sobreviventes desembarcaram no Novo Mundo, começou o romance entre os seus rítmos mágicos e a loura tradição musical européia instalada nas colônias.

Um romance envergonhado, reprimido e, por mais de 200 anos, quase secreto, mas que, em fins da Primeira Guerra, veio resultar nas fabulosas formas mestiças que conhecemos como o jazz, o samba, o bolero, a rumba. Todos primos, mesmo que distantes.

Texto extraído da matéria de Ruy Castro publicada no Caderno 2 do O Estado de S. Paulo, em 16 de setembro de 2000

Alguns rítmos:

Batuque

Batuque-boi

Batucada