Artistas Plásticos

Agnaldo dos Santos
Mestre Didi
Rubem Valentim
Emanuel Araujo

Marcelo Vieira
Samuel Santiago

Lizar

Lizar é pintor, desenhista, escultor, gravador e ativista cultural em São Paulo há trinta anos.

Consciente das dificuldades de materialização de uma obra com originais particularidades negras na atualidade, já que a simbologia recorrente desta caracterização é por demais utilizada, Lizar vem desenvolvendo um trabalho em que o conteúdo espiritual, a vibração, a emoção e a pulsão, sobrepõe-se ao puramente formal e ao simbólico-formal. Isto não quer dizer que seu trabalho prescinda do símbolo. Às vezes ele recorre as formas que evocam, representam ou substituem outras coisas, sobretudo quando estas são de natureza religiosa.

O fulcro da obra plástica atual de Lizar é uma africanidade brasileira de ampla inserção na cultura do país: a capoeira. Aproximando-se do tema da capoeira no início dos anos 70, Lizar recriou-a por três anos, em desenho monocromático, na série que denominou de Capoeira Mecânica. Foi a fase de preparação em que o artista adestrou-se no desenho, na parte substantiva da obra. Na sequência ele passou a utilizar a cor, a destacar linhas curvas de fundo e a eliminar a base, o chão. Suas figuras passam a movimentar-se no espaço na série Capoeira Sideral.

Em seguida Lizar começou a sintetizar formas, a afastar-se de uma caracterização explícita da figuração e a aproximar-se do movimento descrito pelas figuras no espaço. Em outras palavras, acentuou o processo de abstração e de espiritualização destas formas e combinou-as com cores expressivas. Suas formas derivam dos vários movimentos da capoeira, como o de armada, da esquiva, do martelo, de meia lua de compasso, da tesoura de cintura e outros.

Que fique claro que Lizar não pretende com sua obra documentar a capoeira, seus golpes, sua ginga, sua manha. Ele a toma como ponto de partida para a criação de uma obra nova, que embora referenciada numa manifestação da cultura negra, não a reproduz. Ele produz, sim, uma nova obra, ágil e vigorosa, na qual estão presentes as duas grandes paixões humanas – a alegria (laetitia) e a tristeza (tristitia) – com características incontestáveis e universais da negritude.

por Enock Sacramento