Edna Roland uma das conferencistas do FSM 2003

Na edição de 2002 do FSM, Edna Roland, recém chegada de Durban onde foi a Relatora Oficial, participou com a bandeira de cotas e reparações, contribuindo muito para esclarecimentos da comunidade negra e governo.

Fez palestras com o atual senador Paulo Paim e entregou o relatório de Durban, ao prefeito de Porto Alegre, na época, Paulo de Tarso e ao Governador do Estado do RS, na época, Olívio Dutra.

Este ano, 2003, Edna Roland contextuou com o atual momento de formação da equipe de governo, definição de políticas de combate ao racismo, e até na participação da criação de um Observatório Afro-brasileiro.

Observando a participação de Edna no Fórum, percebemos a sua visão estratégica e política dos caminhos de um Brasil com igualdade racial, valendo-se de sua grande experiência no relatório de Durban (vale a pena ler) e seus estudos da situação do negro no Brasil.

A sua organização, Fala Preta!, também levou outras mensagens através de Deise Benedito e Glaucia Mattos, para os jovens.

Edna Roland foi convidada este ano para ser conferencista em um painel que falava sobre Contrato Social, no prédio 41 Cepuc4. Dentro dos tópicos abordados ela frizou a necessidade da implantação de um Relatório de Impacto de Igualdade Racial, para ser mais um instrumento a eliminar o racismo deste país. Edna salientou que a igualdade racial precisa se tornar objetivo de toda a política nacional.

Na sua fala foram citados exemplos que caminham para uma identidade de seus propósitos, como a equipe histórica de governo montada por Benedita da Silva nos seus nove meses de governo do Rio de Janeiro, onde foram empossados 12 negros e negras no 1º escalão do governo. Comentou também sobre os 2,5 milhões de votos do senador Paulo Paim; a criação da Secretaria de Igualdade Racial; a política de transversalidade trabalhada pela equipe da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo do PT, e o Pacto Social, onde representantes do capital e do trabalho, devem trabalhar em conjunto para enfrentar os desafios nas soluções de problemas de amplitude nacional.

E
dna Roland finalizou dizendo que "A gente não quer só comida, queremos ser cidadãos e ter voz".

No mesmo painel de Edna Roland, como convidados, estavam representantes do primeiro escalão do governo como Mercadante (que não compareceu) e Luiz Dulci.

Na edição de 2003 do FSM, Deise Benedito, da Fala Preta!, foi convidada para a abertura do I Encontro Nacional de Hip-Hop e para a mesa organizada pelo Centro de Direitos Humanos da PUC-RJ, com o tema Direitos Humanos e Sistema Legal.
Na abertura do I Encontro Nacional de Hip-Hop, Deise abordou o significado do Hip-Hop nos dias de hoje, comparando os MX, com os griot, tradicionais contadores de histórias das comunidades africanas, que há séculos vinham mantendo a cultura oral.

Lançado o Observatório Afrobrasileiro durante o FSM 2003
Com o objetivo de atuar em áreas sociais, econômicas e estatísticas, o observatório terá nas pesquisas e na democratização das informações, seu principal foco, possibilitanto fornecimento de dados para apoio a desenvolvimento de projetos relativos a população afro-brasileira.
Marcelo Paixão, coordenador técnico do Observatório. Professor do Instituto de Economia da URFJ.
Amauri Queiroz, presidente do Instituto Palmares de Direitos Humanos
Edna Roland, Presidenta da Fala Preta! Organização de Mulheres Negras e Relatora da Conferência Mundial contra o Racismo, em Durban

Na apresentação do projeto, dentro do Quilombo Milton Santos e Lélia Gonçalves, Amauri Queiroz, argumentou que a maior discriminação do povo negro é no orçamento. E para combater esta questão é necessário estudar a LDO, (Lei de Diretrizes Orçamentária), que precisa de um curso devido à sua complexidade.
Outra justificativa fundamental para criação do Observatório é que os projetos tem muitas falhas e os formatadores de projetos, precisam de mais informações. Em outros eixos como Ceará, Bahia e outros núcleos há escassez de informações.
Edna Roland argumentou que no relatório de Durban, existem 7 parágrafos dedicados a dados, coleta de dados a serem divulgados, e sem dados não dá para monitorar se as políticas aplicadas pelo governo estão chegando a situação de igualdade racial. Continuando a falar do relatório de Durban como referência dos objetivos do Observatório, Edna Roland ressalta que poucas metas estão contempladas e basicamente atenta para o fato de que as diferenças relativas à igualdade racial têm que chegar a zero em qualquer lugar do mundo.
Marcelo Paixão apresentou um mapa estatistico de 100 maiores cidades brasileiras, pelo percentual de população afro-

Glaucia Mattos é coodenadora do projeto Pega o Beco, feito com jovens no Belém do Pará, e realizou oficina no acampamento da juventude para divulgar as suas experiências.
O encontro reuniu cerca de 400 jovens com delegações de vários estados do país, 7 representantes dos Estados Unidos, representantes da Jamaica e Argentina.
A abertura musical ficou a cargo do grupo Clan Nordestino.
O encontro também teve a participação de Oliveira Silveira, que é um dos responsáveis pela criação da data de 20 de novembro, para a comunidade afro-brasileira.
A globalização está trazendo para o hip-hop, pessoas da etnia branca, mas a origem do movimento é nos guetos. A maioria dos participantes estava ressentida com a notícia da morte do rapper Sabotagem, na noite anterior pois o mesmo iria participar da abertura. Deise Benedito, fez uma homenagem a ele.
Já há um estudo para um novo encontro este ano em Goiânia.
Jovens argentinas
Galera reunida
Já na mesa do Centro de Direitos da PUC-RJ, no tema abordado sobre Direitos Humanos e Sistema Penal, ela se referiu a situação penitenciária brasileira e os jovens da Febem que cumprem penas.
Foi trazida à tona, questões como o agravamento de penas, superlotação dos presídios, falta de políticas públicas para os egressos do sistema penitenciário, homens e mulheres. E com relação a Febem, o estado de abandono dos jovens infratores, vítimas de torturas e maus tratos, sendo a maioria afrodescendentes, levados até lá pelo narcotráfico.
brasileira, baseado no censo de 2000, mostrando que já possibilita com estes dados a democratização da informação para o desenvolvimento de projetos e diretrizes estratégicas em âmbito municipal
A apresentação teve sua improvisação festiva, vinda da parte externa do prédio, pois para cada um dos apresentadores, tocou um tipo de música, vindo casualmente da movimentação dos manifestantes do Fórum.
Neste sentido, os jovens também tem uma função de um movimento social transformador, alimentando a esperança de um futuro melhor e conforme afirmou Deise Benedito, "a esperança não pode morrer". A luta destes jovens tem uma fundamental importância na manutenção das conquistas do movimento negro atual, pois eles são uma grande esperança de serem os representantes de um movimento organizado em pról dos direitos humanos, e em busca da igualdade racial.
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