Manifesto em pról de garantia das terras do Quilombo Urbano - Família Silva

O MNU, Movimento Negro Unificado, procurado por pessoas da Família Silva, participa de um manifesto que envolve vários órgãos públicos.
Abaixo, material reproduzido sobre apresentação do Projeto "De Quilombo a Quilombo".

"O caso da Família Silva, remanescente de Quilombo urbano oriundo da antiga colônia africana, é de extrema importância para denunciar as pressões da especulação imobiliária sobre as comunidades de ascendência africana que habitam territórios históricamente construídos como forma de resistência ao racismo.
Situado no Bairro Três Figueiras, este Quilombo está sob ação de despejo e reintegração de posse para os "proprietários". Os negros reivindicam a aplicação da Constituição do Brasil, Artigo 69 dos Atos e Disposições Transitórias, do inciso XXIII do artigo 5º, do artigo 183 do código civil, sob o Artigo 551, que prevê a posse das terras àqueles que historicamente habitam áreas remanescentes de quilombos.
O Movimento Negro Unificado, o Ministério Público Federal, Prefeitura Municipal de Porto Alegre através da sua Procuradoria Geral e do Departamento Municipal de Habitação e Comissão de Direitos Humanos formaram comissão a fim de tratarem do caso".

Sr. Alceu, Dna. Ligia e Rita
índice
A luta para garantir um futuro melhor para as crianças.
Família de Thiago, feliz: ele entrou na Universidade Federal e com certeza, outros virão...
O bairro de Três Figueiras é a zona urbana com o metro quadrado mais caro da cidade
Thiago e sua mãe
Há famílias de raça branca que convivem integradas com a comunidade.
A direita Sr. Alceu, ao lado de representante do MinistérioPúblico Federal
O tratamento de saúde é problemático, pois algumas pessoas temem ser discriminadas e maltratadas nos posto de saúde
A maioria das casas são de madeira, e parte da mão de obra trabalha no Country Clube local
Momento emocionante do Abraço ao Quilombo, onde dois ônibus fretados trouxeram os manifestantes que estavam no FSM, e haviam pessoas de vários estados. Houve falas do Deputado Estadual pelo RS, Edson - Portírio, Ivonete Carvalho, do Codene, Onir do MNU, Tális, representante da prefeitura e alguns outros participantes também mostraram a sua solidariedade ao ato, cantando palavras motivadoras para resistirem aos futuros embates com mais força . Alguns moradores, na chegada do grupo, estavam em suas casas envergonhados, mas na hora do abraço, sairam e ficaram no centro do círculo, recebendo o Axé dos manifestantes. Sr. Alceu, em nome dos moradores proferiu palavras de agradecimento, pela ajuda e mobilização dos órgãos que apoiam a luta de resistência.
Parte dos habitantes posicionados no meio do circulo formado, para simbolizar o abraço à causa da Família Silva
Lígia, ao lado de seu marido, 47 anos, que vive no local, é a moradora mais antiga, e conta que seus avós chegaram na região em 1910.
trajeto de saída do quilombo
Entrada e saída do local
Vista da praça em frente ao Quilombo. Jovens e crianças moradoras do local, esperam melhores condições de sustentabilidade no local e sofrem, junto com os mais velhos, as ameças de despejo.
Porto Alegre - 27/02/03 - Fotos e texto: de Jader Nicolau Jr / Edição: Dévorah Burman Nicolau
A chegada dos manifestantes - Bandeira do MNU nas mãos
Leitura de Poesia pelas crianças da comunidade no FSM
da obra de Oliveira Silveira
A apresentação foi realizada com crianças da comunidade dos Silva e filhos de militantes do movimento negro. Integrantes do Quilombo da Família Silva vieram prestigiar as crianças e assistir a um filme com depoimentos de militantes, pessoas afins, e deles próprios .
Em um texto publicado pelo IACOREQ, Instituto de Assessoria às Comunidades Remanescentes de Quilombos de Porto Alegre, podemos observar um pouco da questão de quilombos urbanos:
"Algo corriqueiro quase normal nos dias de hoje: o despejo de mais uma família negra, mais um Silva. Porém os Silva não estavam sendo despejados da periferia, mas de uma área nobre da cidade, que, ironicamente, no passado não era. Há algumas décadas a população negra habitava o que era conhecido como a Colônia Africana da capital gaúcha. Esse grande bairro negro teve a origem com o povoamento dos escravos libertos em 1884 ( o RS, aboliu os escravos antes da Lei Áurea). Inicialmente, abrigaram-se no então chamado Campo da Redenção e nos barrancos situados nos fundos das chácaras de famílias ricas, assim como os Mostardeiros e outras residentes na Avenida Independência e Rua 24 de Outubro, abrangendo hoje o que conhecemos como bairros Mont'Serrat, Rio Branco e Bom Fim.
Foi nessa região que surgiu a Escola de samba Embaixadores do Ritmo, o Salão de baile "Filosofia Negra", um campo de futebol, onde se localiza o Hospital das Clínicas, isso, apenas para exemplificar a história daquela região em termos sócio-culturais.
A partir da década de 40, empurrados pela especulação imobiliária e por um processo higienizador, essa população foi transferida para a periferia, local destinado àqueles que não se enquadravam numa idéia moderna de cidade. O tempo passou e esses negros ocupam outros espaços que não os seus de origem. Alguns, porém, resistiram e teimam até hoje em frear com a sua teimosia os avanços de um processo sócio-econômico excludente.A exemplo das comunidades negras rurais, o caso acima exemplifica uma nova demanda: os territórios negros urbanos."
A demanda nascida da resistência suscitou o artigo 68, que a despeito de suas falhas interpretativas e de aplicabilidade, constitui instrumento de promoção da igualdade e justiça social no âmbito dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. ...
"...em mais 13 anos de Constituição, das mais de 700 comunidades identificadas como remanescente de quilombo, somente cinco foram tituladas.
Neste sentido, considerando que o governo Federal tenha "boa vontade" de titular estas 724 comunidades, em uma média de 21 por ano ( o que corresponde a triplicar a média dos últimos 5 anos), demoraremos 50 anos para democratizar as terras negras brasileiras."...