A RCI Comunicação e Informática é uma pequena empresa que presta serviços como desenvolvimento de sistemas, vendas e assistência técnica de equipamentos, além de assessoria de comunicação e consultoria. Até aí, nada de mais... O grande diferencial é que um dos sócios do negócio (são dois), atende pelo nome de Rose... Rosemeire Campos, jornalista com vasta experiência em todas as áreas da mídia que em 1994, associou-se a um analista de sistema e fundou a RCI. Rosemeire é uma das mais fortes referências para a comunidade negra quando o assunto for iniciativa privada.
Portal – Qual a imagem da mulher negra no meio empresarial?
Rosemeire – A mulher hoje é mais aberta e aprendeu a viver socialmente, ao mesmo tempo cresceu empresarialmente. A mulher empresária trava uma acirrada disputa com os homens. A vida empresarial é uma eterna disputa. Felizmente a mulher vem ganhando mercado e em algumas profissões chegou a superar o homem. Isto é um dado real, um fenômeno mundial. A mulher negra, além dessa briga feminina e da discriminação racial enfrenta a comunidade negra em si. Consequentemente a mulher negra sofre muito mais, pois vivemos num pais machista e o homem negro é tão machista quanto o branco.
Portal – Qual sua opinião sobre as entidades de defesa da mulher negra?
Rosemeire – Francamente, não tenho a oportunidade de acompanhar o trabalho dessas entidades, mas sei que são importantíssimas. Principalmente por tratarem da questão da saúde. As pessoas precisam entender a relevância da saúde da mulher, que passa pelo problema da violência, inclusive no trabalho, e aí volto a minha posição de empresária e levanto a questão do assédio sexual, que a brasileira sofre constantemente, principalmente as negras de classe baixa. Verifique quantas domésticas trazem filhos de patrões nos braços. Isto é um problema muito grave, que entendo que essas organizações devam se ocupar.
Portal – Como você idealizaria uma campanha para acabar com a imagem da mulher negra como objeto sexual?
Rosemeire – Juntaria nossos publicitários, entidades, cartunistas, os negros que estão nas redes de televisão e rádio e o poder público, para dar suporte a tudo isto. A campanha valorizaria não apenas a negra, mas a mulher em primeiro lugar. Independente de cientistas, provetas e clones, a mulher ainda é quem gera a vida, e se a mulher está assim, tão desvalorizada, temo pelos seres humanos que estamos criando. Fico estarrecida ao ver criancinhas de dois anos balançando a bundinha e dando tapinhas na cara, uma da outra. Onde iremos chegar desta forma?
Portal – Que mensagem você daria para uma jovem negra que queira tornar-se empresária?
Rosemeire – Em nosso país as condições são desfavoráveis para qualquer empreendedor. Para a mulher negra, então, é infinitamente pior. Ela terá que lutar e brigar por duas, pela mulher e por ser negra. A mulher hoje tem uma posição mais favorável, por suas conquistas. Mas ainda tem que brigar muito por seu espaço. A condição da mulher objeto as vezes é colocada em uma mesa de negócios, quando um homem sai com uma piadinha qualquer e você precisa provar duas vezes que é capaz e que seu trabalho não é brincadeira. Isto causa um desgaste muito grande. Outro ponto fundamental é o estudo. Nossa comunidade, de modo geral, precisa de mais educação. A dica final é que ela não se isole, que procure outras empreendedoras negras, para trocar idéias, compartilhando dificuldades e vitórias.

