Artistas Plásticos
Agnaldo
dos Santos
Mestre Didi
Rubem Valentim
Lizar
Marcelo Vieira
Samuel Santiago
Emanoel Araujo - O
Filho de Ogum
"Minha escultura é uma arquitetura de planos desenvolvidos com ritmos,
tensões e cores. Não há aqui nenhuma ligação com o real e sim com o pensamento
plástico e estético de um artista vinculado às suas raízes brasileiras e ao
caldeamento que somos produto." (ARAÚJO, 1991:9)
Filho de Vital Lopes de Araújo, cafuzo, e de Guilhermina Alves de Jesus, mestiça, nasce em 15 de novembro de 1940, Emanoel Alves de Araújo, em Santo Amaro da Purificação, tradicional cidade da Bahia. Descende de três gerações de ourives, tendo sido, à princípio, aprendiz de marceneiro e trabalhador, ainda criança. Aos 13 anos, passou a trabalhar na Imprensa Oficial do Estado da sua cidade, em linotipia e composição gráfica. Esta experiência foi fundamental na sua formação, tanto no domínio da técnica quanto da expressão. Após completar o curso secundário, mudou-se para Salvador com a intenção de cursar arquitetura, mas começou a freqüentar exposições e a visitar museus e ateliês, que o fez mudar de idéia, ingressando então na Escola Federal da Bahia, onde tornou-se aluno de gravura do mestre Henrique Oswald, que o admirava e o queria como seu substituto no ensino universitário.
O desenvolvimento de seu estilo e da formação de seu material cultural, passa pelos seguintes estágios:
- O mundo da Bahia, descrevendo a localidade baiana tipicamente tropical, flora e fauna.
- A história sócio-cultural da região: os índigenas e a imposição da escravidão pelos portugueses com a chegada dos africanos, que resulta virtualmente, num período africano.
- A sua ancestralidade, ameríndia e iorubá, seu pai, seu avô e seu bisavô, eram ourives, artesãos de grande desenvolvimento criativo. Mantivemos os adjetivos cafuzo e mestiça, respeitando a fala do artista que ressaltou a presença africana e indígena na constituição de sua família. Estes três fatores são evidentes e em sua obra estão acentuadas pelo seu interesse, num passado multiétnico e simultâneo que vai do Atlântico à Europa e da América à África. Um agitador cultural, portanto.
Em 1.998, quando ministrava um curso de desenho e gravura no City College da Universidade de Nova Iorque, desenvolveu outra técnica para obter peças gravadas, usando superfícies de plástico laminado e fórmica. Trabalha o papel imprimindo-o em, no mínimo, três etapas:
a) os fragmentos criam o que ele chama - enviroment;
b) estrutura a imagem criando linhas de força e tensão;
c) acabamento: após a forma estar definida e as tensões resolvidas, faz a opção cromática.
Sua obra contém duas correntes: a posição histórica de sua arte com a moldura ideológica do final do século XX e a importância da África e dos africanismos brasileiros na sua estética. Duas correntes que se unificam na relação do estilo neo-africano de alguns de seus contemporâneos no Brasil, no Caribe e na América do Norte.