A Importância de Planejar os Sonhos.
10/01/02, por José Paixão de Sousa.

No último artigo introduzi um assunto que julgo importante: citei um diálogo entre duas amigas, para ilustrar a idéia de meta, após tratar sobre indicadores. Todos sabemos que meta é diferente de objetivo. Digamos que o objetivo é um pouco mais genérico do que a meta.

Veja alguns exemplos:
Objetivo1:
Fazer um curso de MBA. Meta: Iniciar um curso de MBA, em São Paulo, em agosto de 2.002 e conclui-lo em junho de 2.004. Parece a mesma coisa, mas o objetivo traz um desejo, um sonho. A meta estabelece algo mais. Além do curso de MBA, cita o local (São Paulo) e delimita o tempo de cumprimento do objetivo. Claro que ainda falta o plano de ação e outros desdobramentos que serão abordados em oportunidades futuras.

Objetivo2: Adquirir imóvel próprio. Meta: Comprar um apartamento de 4 dormitórios, com 3 vagas de garagem, no bairro das Perdizes, em São Paulo, em fevereiro de 2.005. O plano de ação, neste caso, incluiria a formação da poupança, a composição do investimento e assim por diante. O conceito é fundamental, todavia o mais importante é o hábito de traçarmos o nosso caminho para os próximos meses e anos; para nós, mais jovens, por que não pensar em décadas?

Costumo perguntar às pessoas: - "Qual o seu sonho?" A maioria responde meio confusa: - "O meu sonho é ser feliz." Aprecio a resposta. Como gosto de saber não apenas o fim, mas também os meios, certa vez, insisti: - "Está bem, mas qual o seu plano para ser feliz?" - "O governo, cara! Enquanto não mudar esse regime de governo não adianta falar em felicidade!" Preferi não avançar na discussão, até porque o meu caminho para a felicidade é absolutamente outro.

Um certo cidadão até me surpreendeu. Ele disse que seu sonho era ver o Brasil ser pentacampeão mundial de futebol. E é bem provável que ele não esteja sozinho nesta. A propósito, gostei do comercial do Shopping Ibirapuera para a campanha de Natal de 2.001. O Antônio Fagundes perguntava: "Qual o tamanho do seu sonho?" E sugeria possíveis alternativas, claro que com o objetivo de despertar algum desejo de consumo latente nos telespectadores.

Para desenvolvermos o hábito de planejar e estabelecer objetivos e metas para nossas vidas, sugiro este começo. Tente responder a esta questão inicial: Qual(is) o(s) seu(s) sonho(s)? Já sei, ainda não é possível responder a esta pergunta. Tudo bem, o mundo não vai desabar por causa disto. Então, tente a próxima. Qual o seu principal objetivo para o ano que se inicia? Ainda não deu, não é mesmo? Não faz mal, não cometeu nenhum pecado. Nós não estamos acostumados com isto. Mas vamos chegar lá, prometo. Existem até organizações que não possuem respostas a questões deste tipo. Acredite, é a pura verdade.

É incrível, mas, para as empresas, é, de certa forma, mais fácil o planejamento de objetivos, metas e até o plano de ação. É provável que uma das razões seja a pressão que as empresas sofrem do mercado (concorrentes, consumidores, fornecedores). Mas o meu foco neste momento é o planejamento pessoal.

Então, vamos lá. Se você não possui sonho(s) esta é a ocasião, "a hora", para começar a construí-lo(s). É hora de começar a viver uma vida - profissional, espiritual, física, social e mental - que seja produtiva, gratificante e estimulante, cheia de motivação. É hora de começar a pensar na qualidade de vida que queremos ter hoje e no futuro. É hora de descobrir talentos que estão escondidos em nossas cavernas escuras, dentro de nós mesmos.

Gostaria de fazer três desafios, que poderão auxiliá-lo nesse novo hábito:

Desafio 1 - Nunca deixe que as suas decepções atinjam sua motivação. Sim, isso mesmo. Sua motivação precisa vir de dentro, e não depender de palavras ou atitudes de outras pessoas. Claro que gostamos de elogios, aplausos, reconhecimento e coisas do tipo. Não sou contra isso. Pelo contrário, só estou propondo que, na falta destes elementos tão raros, você continue motivado, buscando o seu sonho. O fracasso é do meio e não nosso. Agora, não importa o que fizeram de mim, mas o que eu vou fazer com o que fizeram de mim. Preciso me reorganizar para continuar.

Desafio 2 - O melhor ainda está por acontecer em nossa vida. Se ainda não possuir sonhos, estabeleça como objetivo melhorar aquilo que você gosta de fazer. Pode ser melhorar um relacionamento, por exemplo, ou iniciar uma atividade esportiva, parar de fumar, incrementar o saldo da caderneta de poupança (para isso, basta uma certa criatividade financeira, para não gastar mais do que se ganha... ). Enfim, algo que possa ser melhor do que o já alcançado. Guarde bem isto: quando as recordações forem maiores do que os sonhos, o final pode estar perto.

Desafio 3 - Chegou a hora de lhe propor talvez o maior desafio: Escrever. É mesmo um grande desafio. Para animá-lo, posso afirmar que quando registramos nossos objetivos e metas algo acontece e faz com que estas anotações se tornem uma espécie de profecia. Legal, não? Você não vai se arrepender. Definida a meta, é preciso traçar um plano de ação. De maneira simples, é o passo-a-passo, isto é, as coisas que você precisa fazer para atingir cada meta. Agora é hora de fazer a lista de objetivos. Precisa de uma forçinha? Está bem, mas é só a título de sugestão, nada de copiar:

Reconstruir a vida afetiva;
voltar a estudar e complementar o curso interrompido;
comprar um novo imóvel;
aprender a nadar ou a dirigir;
viajar (dentro do Brasil, preferencialmente);
fazer novos amigos;
desenvolver habilidades pessoais;
iniciar, seriamente, uma dieta para emagrecimento;
etc.

É sempre momento para se fazer uma boa reflexão e um planejamento. Não se trata de regra, é só uma questão de bom senso. Até porque, se você não faz planos, está deixando sua vida por conta do acaso. Deus nos dá inteligência, talentos e liberdade, mas espera de nós responsabilidades nas decisões e definição de prioridades para a vida. Claro que as crianças e outras pessoas com dificuldades específicas estão isentas desta responsabilidade.

Após fixar o plano de ação para atingir seus objetivos e metas, faça um acompanhamento e os devidos ajustes. No final do ano, você vai ter muita coisa boa pra contar. Ah, só um lembrete: algumas pessoas, consideradas prudentes, costumam ter um Plano B, para o caso de o Plano A se mostrar absolutamente irrealizável, por algum infortúnio da vida, você sabe.

Estou em férias, finalmente, e vou viajar. Já estava tudo planejado. Espero que dê certo, sem necessidade de ajuste ou de utilização do Plano B. Mas, se precisar, paciência. Já está pronto mesmo.

Feliz 2.002! Com Jesus é mais legal, sabia? Fui!

 

José Paixão de Sousa é economista, pós-graduado em Administração de Empresas e Mestre em Administração de Negócios, área em que atua como conferencista. Atualmente é Gerente de Planejamento na Telefônica - Brasil. e-mail: jpaixao57@hotmail.com