SEM CERA
Por José Paixão de Sousa
Você gosta de teatro? Eu adoro. Tenho amigos atores. Alguns até bem famosos. Um deles me contou certa vez, durante essas conversas de bares, que os atores antigos costumavam representar seus papéis utilizando uma espécie de cera no rosto, para caracterizar melhor os personagens. Hoje em dia ainda encontramos alguns artistas, principalmente os palhaços, fazendo uso deste artifício. Mas não é muito comum o uso por atores de teatro, cinema ou televisão, a não ser em alguns poucos papéis especiais.
Atuar com cera, porém, não é privilégio de poucos personagens em nosso dia-a-dia.
Após a definição, vejamos três exemplos de sua aplicação em nosso cotidiano.
O Dicionário Aurélio define cera tecnicamente: [Do lat. cera.] S. f. Substância amarelada e mole, produzida pelas abelhas, e com que fazem os favos.
Mas não só abelhas produzem cera. No futebol, basquete e jogos em que é importante o decorrer do tempo, fazer cera significa retardar o andamento do jogo. E, em momentos decisivos, fazer cera integra a estratégia das equipes. No esporte, então, pode ter um significado positivo para os seus autores.
No dia-a-dia de uma empresa, fazer cera significa realizar o trabalho de forma negligente e vagarosa.
No esporte, ajuda a equipe; na empresa, derruba a produtividade e atrapalha os negócios; na vida, incomoda o próximo.
Creio que já temos elementos para reflexão, através de algumas perguntas-chave: - "Como está nossa produtividade? Como está a produtividade em nossa volta? Quem está à nossa frente para nos servir de modelo (benchmarking)?".
Em terceiro lugar, uma curiosidade. Alguém já afirmou que as palavras "sem cera" deram origem à palavra sincera (o). Não me preocupo em checar essa informação, pois acho que tem tudo a ver. Representar um papel é andar com cera no rosto, mesmo que não se perceba. Quero dizer, o "ator" não percebe, ou finge não perceber, o que é pior.
Todos conhecemos pessoas que parecem estar sempre representando um papel, e não vivem suas verdades, seus valores e princípios. Seria proveitoso o "ator" tentar descobrir se se trata de insegurança, baixa auto-estima, falsidade, hipocrisia, o que for. Pode ser até covardia. Sei lá...! Perdem a credibilidade, o prestígio, mas não desistem. (Um bom psicólogo faria um bem danado.)
Claro que não é esse o seu caso, leitor amigo. Se fosse assim, já teria deixado de ler este artigo, não é mesmo?
Preciso concluir. No esporte, o desafio na hora de fazer cera é enganar o árbitro; na empresa, os ingênuos tentam enganar o chefe, gerente ou patrão. Mas, na prática, enganam-se a si mesmos. Na vida, bem..., o melhor é deixar a cera de lado.
Agradeça a Deus por cada dia que Ele te dá de presente, e viva sendo você mesmo.
Uma sugestão: sempre que possível, vá ao teatro. Eu adoro teatro. Divirta-se, curta a vida. Sem cera.
Até!
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José
Paixão de Sousa é economista, pós-graduado em
Administração de Empresas, e Mestre em Administração
de Negócios, área em que atua como conferencista.
Atualmente é Gerente de Planejamento na Telefônica - Brasil.
E-mail: jpaixao57@hotmail.com