Logo abaixo citamos alguns
nomes que se apresentaram nas oficinas e nas mesas. Para se ter uma idéia
do evento, e mais detalhes, consultem o menu acima.
Edson Cardoso, mestre em Comunicação Social pela UnB
e presidente do Irohin participou da mesa Implementando
a Lei 10.639/2003 (emenda à LDB) e ministrou a Oficina
Desigualdades raciais e políticas de inclusão.
Além de ser uma das mais importantes lideranças do Movimento
Negro do país, Edson Cardoso tem atuado como assessor do Senador Paulo
Paim. É também um estudioso das relações etnico-raciais
no Brasil.
Sobre a Lei que obriga o ensino da história da África e cultura
negra, disse: Esta lei é resultado do esforço do Movimento Negro.
O que preocupa é a distância entre a Lei e a realidade. Cabe
ao movimento e á sociedade civil a cobrança para o seu cumprimento.
Temos, se necessário, que acionar os municípios via Ministério
Público, para que as autoridades responsáveis (secretarias de
educação) implementem a lei.
Sobre o racismo – Os indicadores
sociais que demonstram as desigualdades econômicas entre brancos e negros
são um instrumento precioso para a identificação do racismo.
Eles devem ser usados por militantes, professores, educadores como método
para fundamentar as reivindicações e necessidade de implementação
das políticas públicas.
(...) A força do racismo está na forma como ele é aprendido.
Ninguém nasce racista. A família, a sociedade, a escola é
que produzem seres racistas, ensinam as práticas racistas. Cria-se
uma representação imaginária, falsa e negativa contra
os negros e a principal característica dessa prática é
a desumanização do negro, que é tratado como animal ou
como um objeto.
Jeruse Romão,
mestre em Educação pela UFE é também assessora
da Assembléia Legislativa de Santa Catarina.
Em sua fala, salientou aspectos da LDB – Leis de Diretrizes e Bases
e fêz sugestões importantes aos educadores, como a revisão
dos referenciais de matriz africana existentes na cultura brasileira.
Bel Santos,
do CEERT, foi um dos destaques da mesa Educar
para a Igualdade Racial: das práticas na sala de aula ao desempenho
das políticas públicas municipais. Bel, coordena
o Programa de Educação do CEERT. Ela fêz um relato detalhado
de como sua instituição pensou e elaborou o Prêmio Educar
para a Igualdade Racial, cuja 2ª edição foi lançada
durante o Seminário.
O 1º concurso recebeu experiências educacionais de todo o país,
inclusive da região Norte, onde, devido a distância, a divulgação
foi mais problemática. Dentre os critérios significativos a
escolha dos melhores estavam a criatividade dos promotores, sua criticidade
e capacidade de intervenção para a mudançca da realidade
– ou seja – combater o racismo e valorizar a raça/etnia
negra.
A pesquisadora Lucimar
Dias, bolsista da Fundação Ford foi a coordenadora
da mesa Educar para a Igualdade Racial: perspectivas
e possibilidades. Ex-presidente do TEZ – Trabalho Estudos
Zumbi, organização do Mato Grosso do Sul e mestre em educação,
Lucimar ingressou no doutorado da USP para pesquisar as experiências
educacionais desenvolvidas pelo Movimento Negro para a formação
de professores em todo o país.
A experiência do TEZ (MS) na formação de professores foi
narrada por sua atual presidente, Bartolina Ramalho Catanante,
que participou da mesa Educar
para a Igualdade Racial:experiências regionais.
O estado do Pará
foi representado pelo CEDENPA, associação do movimento negro
que atua há vários anos na luta anti-racista. Zélia
Amador relatou as ações desenvolvidas na região,
que também é marcada por uma forte presença indígena.
Zélia disse que a meta do CEDENPA tem sido a busca de um comprometimento
maior das secretarias de educação com a questão do negro
e do indígena. Como vitórias iniciais, aponta a recente criação,
no Pará, de um Núcleo de História da Cultura Afro-Brasileira,
ligado à secretaria municipal de Educação. No âmbito
do Estado, há um trabalho iniciado que necessita de fortalecimento.
Doutoranda em Antropologia, Zélia Amador salienta a importância
da lei 10.639, que legitima as ações históricas do CEDENPA.
No que se refere aos indígenas, ela comenta a existência de um
forte racismo anti indígena em seu estado, cuja população
de pretos e pardos, somados, chega a 74%. Eles são majoritariamente
negros e indígenas.
Uma das Oficinas mais disputadas entre os participantes foi a de Políticas de valorização da diversidade no trabalho: construindo uma agenda. Hélio Santos, doutor em Administração pela USP e autor do livro “ A busca de um caminho para o Brasil”; Reinaldo Bulgarelli e Ana Esteves da AMCE/Negócios Sustentáveis dividiram o tema com dois importantes convidados: Paulo Xavier – presidente da ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos e Jorgete Leite Lemos – vice-presidente de Responsabilidade social da ABRH.
Paulo Xavier disse que foi necessário aprender sobre o racismo no Brasil, sobre as desigualdades vivenciadas pelos afrodescendentes, para ele “ acordar para a realidade”. Como presidente da APARH, até 2003, comprometeu-se a promover seminários e encontros de sensibilização dos profissionais do setor, para que eles passem a contratar negros. Não podemos negar que o racismo no Brasil existe e que ele impede o acesso dos negros no trabalho.
Jorgete Lemos
sabe que ela é uma exceção no mundo das empresas, por
ser uma mulher negra. A sua trajetória pessoal (que será tema
de uma entrevista exclusiva do Portal Afro) demonstra as dificuldades impostas
pelo racismo, porém, a certeza de sua competência profissional
aliada à capacidade de sensibilizar seus pares no trabalho, possibilitou
a sua ascensão no setor de Recursos Humanos.
Jorgete acredita que o caminho a ser trilhado a partir de agora é o
da promoção da cultura negra, a sua difusão e a “
aculturação” das pessoas para que elas tenham autoestima,
sobretudo os negros que têm vergonha de sua etnia.
O eixo central da oficina foi demonstrar
que a inclusão social de afrodescendentes no mercado de trabalho não
deve ser vista como uma medida assistencialista. Promover a diversidade cultural
é um bom negócio e, segundo Moisés Bento, consultor do
CEERT, é também competitividade e lucratividade.
A mentalidade empresarial no Brasil ainda vê como despesa as práticas
inclusivas, afirmou Reinaldo Bulgarelli, quando, na realidade, elas podem
ser transformadas em receita.
A presidente da AMCE, Ana Esteves, assim como Paulo Xavier admitiram a necessidade
de sensibilizar os empresarios brancos, mas as experiências internacionais
devem refletir positivamente no Brasil.
A Saúde
da População Negra teve o destaque merecido na programação
do seminário do CEERT, através de um mini-curso (Implementação
do Quesito Cor/Raça/Etnia:raça e saúde)
direcionado a profissionais, técnicos e estudiosos da saúde.
Os cursistas tomaram conhecimento dos Avanços na Implementação
do Quesito Cor/Raça/Etnia na área da saúde e puderam
entender as Vulnerabilidades que permeiam a vida dos afrodescendentes e que
devem ser consideradas pelo estado.
Elisabete Pinto – vice presidente da Fala Preta e doutoranda da PUC tem desenvolvido pesquisas sobre saúde reprodutiva e coordenou um trabalho sobre a prática do aborto. Elisabete inova ao apresentar, além dos depoimentos das mulheres (negras e brancas), a fala dos homens, parceiros brancos e negros, demonstrando o quanto nossa sociedade necessita enfrentar essa questão, presente no cotidiano, e ao mesmo tempo proibida por aspectos culturais, religiosos e criminais.
Literatura 1
Andréia
Lisboa, do Programa Diversidade do MEC apresentou a oficina sobre
História de leitura, etnocentrismo e a imagem do negro nos livros paradidáticos.
Andréia dedicou o seu mestrado à análise das personagens
negras na literatura infantil e sempre trabalhou com a formação
de professores da rede pública, auxiliando-os a reconhecer os estereótipos
presentes na literatura e a combatê-los.
Literatura
2
O leitor
e o texto afro-brasileiro foi tema da oficina do escritor Luiz Silva Cuti,
mestre em literatura e um dos fundadores do grupo Quilombhoje, que há
26 anos edita a coleção Cadernos Negros.
Música
e mitologia afrodescendente
O professor da USP Marcos Ferreira, da Faculdade de Educação,
abordou a ligação entre Música, Mito e Corporeidade Afrodescendente,
evidenciando aspectos filosóficos da ancestralidade negra.
Hip
Hop (música, dança, grafite)
O rapper Gildean Silva Pereira, mais conhecido pelos manos como Panikinho
dividiu sua oficina com Suely Chan, coordenadora do projeto
Zulu Nation. Esse encontro demonstrou que diferentes gerações
reconhecem o Hip Hop como um movimento cultural, cuja organização
tem propiciado a consciência política da juventude negra no Brasil
e no mundo.
Cinema – cineastas negras mostram seus trabalhos e encantam o público.
Apesar de serem cineastas
premiados – Joel Zito e Jefferson De
– ainda não são conhecidos pelo grande público.
Isso também ocorre com cineastas brancos, pois o cinema brasileiro
tem passado por crises constantes, mas tem sobrevivido lançando nomes
e produções de qualidade.
Todavia, o que diferencia Joel Zito, Jefferson De,
Noel Carvalho (presentes no seminário) dos demais
cineastas brancos é o fato de serem negros e de buscarem, nas suas
produções, retratar a população negra com dignidade.
“Os filmes brasileiros que recentemente fizeram sucesso no exterior,
como Cidade de Deus, Carandiru mostram os jovens negros com armas na mão”
afirma Jefferson com o aval de Noel. Ambos criaram o grupo Dogma Feijoada,
que reúne produtores afrodescendentes.
Há outras possibilidades de mostrar a juventude negra, que majoritariamente
não usa armas, luta para sobreviver e é culturalmente criativa.
Noel Carvalho, profundo conhecedor do cinema brasileiro,
orienta os professores das rede pública a escolherem filmes como “Compasso
de Espera” de Zózimo Bubu, cineasta negro pioneiro na produção
de filmes com viés crítico da situação do negro
no Brasil. O cinema é um excelente caminho para a educação
e elaboração da consciência sobre os fatos sociais.
O seminário apresentou o vídeo “Narciso Rap” de Jefferson De e o curta metragem “Vista a minha Pele”, de Joel Zito. Este último será distribuido gratuitamente às escolas. (Maiores informações podem ser obtidas no CEERT).
Reportagens:
Jader Nicolau Jr.e Rosangela Malachias
Fotos: Jader Nicolau Jr.
Colaboradora: Damaris Germana Roberto

O Sesc Vila Mariana em São Paulo, nos dias 16 e 17
de dezembro, foi palco de discussões de temas relativos à comunidade
afrodescendente e seus desafios com relação a políticas
de promoção da igualdade racial. As atividades foram distribuídas
em oficinas, mesas de debate, mini curso, lançamento de filmes e atrações
artísticas.
Nas atividades haviam 8 mesas de debate, onde 50% dos temas foram sobre educação,
dois lançamentos de vídeos, 1 sobre política e outro
sobre religião.
Em relação às 12 oficinas realizadas, a maior concentração
foi na área de música como suporte para terapia e aprendizagem,
duas oficinas sobre literatura, 2 sobre políticas de igualdade racial,
e as demais sobre diversidade no mercado de trabalho, saúde, educação,
economia solidária e dança.
A maior concentração na área de educação,
na realização das mesas, é uma preparação
para o 2º Prêmio Educar para Igualdade Racial,
que teve seu lançamento no primeiro dia do evento, e com perspectivas
de superar o grande sucesso do primeiro.
A amplitude do projeto envolveu participantes de vários estados do
Brasil, promovendo uma rica troca de experiências e reencontros.
O evento teve parceria do Banco Real – ABN Amro, PROGRAMA
PAZ NAS ESCOLAS, Unicef, apoio do Sesc São Paulo, Fundação
Ford, Secretaria da Educação do Município de São
Paulo e Fundação Avina co-realização do Cone –
Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra..











