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Fotos: Jader Nicolau Jr.
Colaboradora: Damaris Germana Roberto

Ações afirmativas do CEERT mobilizam mais de 700 participantes para construir um Brasil mais forte contra todas as formas de discriminação
Edson Cardoso
Jeruse Romão
Lucimar Dias
Elisabete Pinto – vice presidente da Fala Preta e doutoranda da PUC tem desenvolvido pesquisas sobre saúde reprodutiva e coordenou um trabalho sobre a prática do aborto. Elisabete inova ao apresentar, além dos depoimentos das mulheres (negras e brancas), a fala dos homens, parceiros brancos e negros, demonstrando o quanto nossa sociedade necessita enfrentar essa questão, presente no cotidiano, e ao mesmo tempo proibida por aspectos culturais, religiosos e criminais.
Leia - Joel Zito falando sobre vídeo produzido para o CEERT e o seu longa-metragem Filhas do Vento
Zélia Amador

Edson Cardoso, mestre em Comunicação Social pela UnB e presidente do Irohin participou da mesa Implementando a Lei 10.639/2003 (emenda à LDB) e ministrou a Oficina Desigualdades raciais e políticas de inclusão. Além de ser uma das mais importantes lideranças do Movimento Negro do país, Edson Cardoso tem atuado como assessor do Senador Paulo Paim. É também um estudioso das relações etnico-raciais no Brasil.
Sobre a Lei que obriga o ensino da história da África e cultura negra, disse: Esta lei é resultado do esforço do Movimento Negro. O que preocupa é a distância entre a Lei e a realidade. Cabe ao movimento e á sociedade civil a cobrança para o seu cumprimento. Temos, se necessário, que acionar os municípios via Ministério Público, para que as autoridades responsáveis (secretarias de educação) implementem a lei.

Sobre o racismo – Os indicadores sociais que demonstram as desigualdades econômicas entre brancos e negros são um instrumento precioso para a identificação do racismo. Eles devem ser usados por militantes, professores, educadores como método para fundamentar as reivindicações e necessidade de implementação das políticas públicas.
(...) A força do racismo está na forma como ele é aprendido. Ninguém nasce racista. A família, a sociedade, a escola é que produzem seres racistas, ensinam as práticas racistas. Cria-se uma representação imaginária, falsa e negativa contra os negros e a principal característica dessa prática é a desumanização do negro, que é tratado como animal ou como um objeto.

Jeruse Romão, mestre em Educação pela UFE é também assessora da Assembléia Legislativa de Santa Catarina.
Em sua fala, salientou aspectos da LDB – Leis de Diretrizes e Bases e fêz sugestões importantes aos educadores, como a revisão dos referenciais de matriz africana existentes na cultura brasileira.
A pesquisadora Lucimar Dias, bolsista da Fundação Ford foi a coordenadora da mesa Educar para a Igualdade Racial: perspectivas e possibilidades. Ex-presidente do TEZ – Trabalho Estudos Zumbi, organização do Mato Grosso do Sul e mestre em educação, Lucimar ingressou no doutorado da USP para pesquisar as experiências educacionais desenvolvidas pelo Movimento Negro para a formação de professores em todo o país.
O estado do Pará foi representado pelo CEDENPA, associação do movimento negro que atua há vários anos na luta anti-racista. Zélia Amador relatou as ações desenvolvidas na região, que também é marcada por uma forte presença indígena.
Zélia disse que a meta do CEDENPA tem sido a busca de um comprometimento maior das secretarias de educação com a questão do negro e do indígena. Como vitórias iniciais, aponta a recente criação, no Pará, de um Núcleo de História da Cultura Afro-Brasileira, ligado à secretaria municipal de Educação. No âmbito do Estado, há um trabalho iniciado que necessita de fortalecimento.
Doutoranda em Antropologia, Zélia Amador salienta a importância da lei 10.639, que legitima as ações históricas do CEDENPA. No que se refere aos indígenas, ela comenta a existência de um forte racismo anti indígena em seu estado, cuja população de pretos e pardos, somados, chega a 74%. Eles são majoritariamente negros e indígenas.
Paulo Xavier disse que foi necessário aprender sobre o racismo no Brasil, sobre as desigualdades vivenciadas pelos afrodescendentes, para ele “ acordar para a realidade”. Como presidente da APARH, até 2003, comprometeu-se a promover seminários e encontros de sensibilização dos profissionais do setor, para que eles passem a contratar negros. Não podemos negar que o racismo no Brasil existe e que ele impede o acesso dos negros no trabalho.
Jorgete Lemos sabe que ela é uma exceção no mundo das empresas, por ser uma mulher negra. A sua trajetória pessoal (que será tema de uma entrevista exclusiva do Portal Afro) demonstra as dificuldades impostas pelo racismo, porém, a certeza de sua competência profissional aliada à capacidade de sensibilizar seus pares no trabalho, possibilitou a sua ascensão no setor de Recursos Humanos.
Jorgete acredita que o caminho a ser trilhado a partir de agora é o da promoção da cultura negra, a sua difusão e a “ aculturação” das pessoas para que elas tenham autoestima, sobretudo os negros que têm vergonha de sua etnia.
Bel Santos, do CEERT, foi um dos destaques da mesa Educar para a Igualdade Racial: das práticas na sala de aula ao desempenho das políticas públicas municipais. Bel, coordena o Programa de Educação do CEERT. Ela fêz um relato detalhado de como sua instituição pensou e elaborou o Prêmio Educar para a Igualdade Racial, cuja 2ª edição foi lançada durante o Seminário.
O 1º concurso recebeu experiências educacionais de todo o país, inclusive da região Norte, onde, devido a distância, a divulgação foi mais problemática. Dentre os critérios significativos a escolha dos melhores estavam a criatividade dos promotores, sua criticidade e capacidade de intervenção para a mudançca da realidade – ou seja – combater o racismo e valorizar a raça/etnia negra.
Edson Cardoso
Jeruse Romão
Lucimar Dias
Paulo Xavier
Zélia Amador
Elisabete Pinto
Bel Santos
Jorgete Lemos