Carolina Maria de Jesus


"Quarto de Despejo" foi escrito por uma favelada negra, semi-analfabeta, que causou um grande impacto nos meios acadêmicos. A autora, Carolina Maria de Jesus, jamais poderia imaginar o poder explosivo que estava contido em seus diários.

Carolina Maria de Jesus nasceu na cidade de Sacramento, interior de Minas Gerais, em 1914, era neta de escravos. Seu pai era tocador de violão e não muito chegado ao batente. Portanto, coube à mãe de Carolina, o sustento da família. Teve de abandonar o curso primário para ajudar no sustento da casa. Depois de passar por várias peripécias pelo sul de Minas Gerais, chegou a São Paulo, estabelecendo-se na Favela do Canindé, onde hoje fica o campo da Portuguesa de Desportos.

"Quarto de Despejo" alcançou inesperado e impressionante sucesso. Sua primeira edição, de 10 mil exemplares, se esgotou em menos de uma semana. O livro foi traduzido para cerca de trinta idiomas, merecendo sucessivas reedições com tiragens superiores a 100 mil unidades. A obra foi adaptada para teatro, rádio, televisão e cinema, sempre com grande sucesso.

O caráter social de "Quarto de Despejo" mede-se pelo poder que teve, capaz de acabar com a Favela do Canindé, na ocasião, a maior e mais problemática de São Paulo.

Carolina Maria de Jesus também publicou outras obras:

Diário de Bitita, de 1996;
Casa de Alvenaria;
Crônicas;
Pedaços da Fome e
Romance, de 1963, pela editora Áquila.

Maria Lúcia de Barros Mott, comenta: "Depois que Carolina caiu no esquecimento, o desprezo pela escritora chegou a tal ponto em nosso país que "Diário de Bitita" foi publicado primeira na França, em 1982, e, apenas em 19826, foi editado no Brasil, pela Nova Fronteira".

Outra injustiça que se mistura ao preconceito de cor, está no fato, segundo Maria Lúcia Mott, de se pretender atribuir a criação de "Quarto de Despejo" ao jornalista Audálio Dantas (descobridor dos diários de Carolina), fazendo com que certas pessoas olhem com reservas a obra de fundo eminentemente social, sem que seus atributos artísitcos sejam comprometidos em nenhum momento.

Carolina de Jesus tinha tanta vocação para escritora, que certa vez rejeitou um pretendente para marido, contava:

"Manuel apareceu dizendo que queria casar-se comigo. Mas eu não queria porque já estou na maturidade. E depois, um homem não há de gostar de uma mulher que não pode passar sem ler. E levanta para escrever. E que deita com o lápis e papel debaixo do travesseiro".