Bernardino da Costa Lopes
Que dizer do mulato Bernardino da Costa Lopes, ou simplesmente B. Lopes, como passou a assinar seus escritos?
Nada, a não ser que foi também literariamente Bruno Lauro e que ganhou fama com a publicação de "Cromos".
Nasceu em Boa Esperança, município de Rio Bonito, na província do Rio de Janeiro, a 19 de janeiro de 1859. De família humilde, foi caixeiro no início da vida. Estudou com a maior dificuldade, conseguindo fazer Humanidades. No Rio, trabalhou no Correio Geral, casou-se, e começou a vida literária. E vieram os livros: "Cromos", "Pizzicatos", "Dona Carmem", "Brasões", "Val de Lírios", "Plumário" e outros.
B. Lopes foi um precursor do Simbolismo, tendo influenciado a primeira fase de Cruz e Souza, Oscar Rosas e Emiliano Pernera, com o qual lançou o manifesto pioneiro da nova escola literária, na Folha Popular, do Rio de Janeiro, em 1890.
"Val de Lírios" é de 1900, Simbolismo integral. Tendo perdido o amor de Sinhá Flor, pernambucana, inspiradora de um dos seus melhores livros, "|Val de Lírios", decaiu. Pobre, tuberculoso, epilético, dado à bebida, tornou-se sombra do que fora. Escreveu, nesta fase, um poema em louvor ao marechal Hermes da Fonseca, no qual profere o verso infeliz: Bonito Herói! Cheirosa criatura!
Não o perdoando, Rui Barbosa, sem ligar para as péssimas condições físicas e mentais daquele que fora um dos maiores poetas brasileiros, vergou-o sob o ridículo, berrando crítica veemente em pleno Senado, intitulada "O Bodum das senzalas".
O poeta de "Cromos" chegou a ser internado, em 1916, no Hospício dos Alienados. Faleceu a 18 de setembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro.
Damos aqui um soneto de B. Lopes, "Praia":
"Pitangueiras, arriando carregados
- Esmeralda e rubim que a luz feria
Cintilavam, em pleno meio-dia,
Na argêntea praia de um fulgor de espadas.
Sob o largo frondal eram
risadas
Toda uma festa, um chalro, a vozeria
De um rancho alegre e simples que colhia:
Moças - frutas; e moços - namorados.
Em cima outra aluvião,
por todo o mangue
De sanhaços, saís e tiés-sangue,
Policromia musical da mata.
E através da folhagem
miúda e cheia
Bordava o sol, ao pino, sobre a areia,
Um crivo de oiro num cendal de prata!"