Artistas Plásticos
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Mestre Didi
Rubem Valentim
Lizar
Marcelo Vieira
Samuel Santiago
Agnaldo dos Santos
Agnaldo, nascido
em dezembro de 1.926 no povoado da Gamboa em Mar Grande, litoral norte da
ilha de Itaparica, localidade plena de manifestações das religiões de seus
ancestrais (Candomblé), jamais teve contato com tais cultos - conforme depoimentos
de seu pai, João Taparica, de sua irmã, e de Dona Ernestina, viúva de Agnaldo.
Por outro lado, Clarival do Prado Valladares, em seu "Origem e Revelação de um escultor primitivo" (Revista Afro-Ásia, no. 14, 1.983), apontava a familiaridade de Agnaldo com o Candomblé.
Descoberto casualmente por Mário Cravo Jr., Agnaldo foi contratado para executar serviços gerais em seu estúdio do Rio Vermelho, onde passou a conhecer o instrumental necessário ao ofício de escultor.
Os antigos que sustentam que Agnaldo, embora nascido para a arte na casa de Cravo Jr., nada deve do ponto de vista da linguagem, a este último, também afirmam (Carubê, Mirabeau Sampaio, Antonio Rebouças) que Agnaldo era o mais leal e gentil companheiro, o mais nobre e honrado dos homens, e de uma elegância e polidez naturais absolutamente incomuns.
Mirabeau exemplifica tal nobreza de sentimentos relatando uma visita de Agnaldo à sua casa. Conversavam junto à célebre coleção de imagens de Dr. Mirabeau, quando Agnaldo sobressaltou-se: divisou subitamente uma imagem recém adquirida por Mirabeau - uma peça do século XVII, uma conceituação incrustada numa ogiva. Agnaldo tinha de executar algumas peças com a mesma solução formal, sem jamais ter visto obra análoga. Apressou-se então a assegurar a Mirabeau, ou melhor, suplicou que Mirabeau lhe assegurasse jamais ter havido a possibilidade de ter visto a santa antes. O episódio ilustra bem o senso ético e a lisura de procedimento de um homem de origem, sem sombra de dúvida, nobre.
O perfil traçado completa-se por uma elegância impecável, tanto que amigos mais íntimos brincavam chamando-o "Príncipe dos Hauçás". Quanto à noção geral de que Agnaldo teria origem nobre, por seu porte e comportamento, o que pode-se apenas vislumbrar através dos depoimentos e das raras fotografias encontradas, parte de uma entrevista com seu pai: João Taparica - um homem já com seus 90 anos, nascido na Amoreira e criado na Gamboa, que trabalhava na roça o dia inteiro, sob uma temperatura média de 40 graus.
Com seus 1,90m, falou das poucas lembranças de Agnaldo, já que este fora criado por outras pessoas. O mais impressionante, porém, é a altivez com que se expressava e se denominava "Formador de Roça", enfrentando seu destino com o fatalismo de uma personagem trágica. Dizia que "Sou do campo e só paro quando morrer". "A vida é a enxada", era sua máxima. Agnaldo expressava-se, igualmente de maneira singela, mas altiva e orgulhosa.
Na Bienal de 1.957 foi premiado.
Valladares assim se refere a Agnaldo: "Merecia viver porque era homem bom, era uma pessoa que dignificava a espécie humana, era um grande artista. Tudo transmite esta grandeza no homem e no artista".
Agnaldo Manoel dos Santos morreu no dia 26 de abril de 1.962, aos 35 anos de idade.